terça-feira, 20 de novembro de 2012

2012: Tudo o que você precisa saber ( Ou Não ) sobre o fim do mundo

À medida que internet se expande, mais informações passam a ser acessadas transformando o simples ato de navegar na rede na mais fantástica forma de disseminação do conhecimento jamais ocorrida na história da humanidade.
Apesar disso ser motivo de orgulho da nossa sociedade, a grande rede também contribui de forma assustadora na propagação do falso conhecimento, já que criar um blog com artigos pseudocientíficos, falsos ou alarmantes é a coisa mais fácil do mundo.
Um dos assuntos preferidos desses blogs - e até de sites maiores - é o Fim do Mundo, previsto para acontecer em 21 de dezembro de 2012. Esse "evento" será provocado por uma série de acontecimentos coincidentes, confusos e desconexos, mas não menos fantásticos e lucrativos, aliás, muito, muito lucrativos.
Segundo esses blogs, parece que tudo acontecerá ao mesmo tempo em 2012, data em que todas as forças naturais ou ocultas do Universo se juntarão contra nosso planeta e o destruirão, dando início à uma Nova Era ou à extinção da humanidade, não se sabe bem o que.

Forças Ocultas
De acordo com o previsto, em dezembro de 2012 ocorrerá um alinhamento de planetas, com a Terra se alinhando com o centro da Galáxia. Quando isso ocorrer, forças até então desconhecidas criarão fenômenos naturais que o Homem jamais experimentou, com mortes e destruição em escala gigantesca.
Além do alinhamento planetário, nosso Sol também entrará em um período de atividade magnética sem precedentes, disparando partículas solares contra a Terra. Esse intenso bombardeio cósmico destruirá equipamentos e fulminará os seres vivos, já que a magnetosfera protetora terá sido extinta pelas forças naturais criadas pelo alinhamento.
Como se não bastasse, tudo isso será tremendamente amplificado pela inversão do campo magnético da Terra, que fará o planeta girar ao contrário, fenômeno esse que será provocado pelo alinhamento ou pelo choque do planeta Nibiru ou Hercólubus, que se aproximam do nosso planeta em rota de colisão inevitável.
Todo esse cataclismo varia tremendamente entre um blog ou outro, não havendo coerência entre os fatos narrados, que podem mudar de acordo com a interpretação de quem escreve ou lê. No entanto, todos se alicerçam em um fato em comum e alardeado como a mais pura verdade da humanidade: A Profecia Maia do Fim do Mundo.

Saindo das Trevas
Antes de trazer luz aos fatos, é importante destacar que tudo que foi mostrado acima não tem qualquer embasamento científico e sob esse ponto de vista não há qualquer evento previsto para acontecer em dezembro de 2012. Filmes, textos e programas de televisão que afirmam o contrário devem ser vistos apenas com o propósito da diversão e entretenimento, que como dissemos no início do artigo, são bastante lucrativos!

Qual a origem? Porque 2012?
Ao que tudo indica, toda essa história começou com o alerta de que Nibiru, um hipotético planeta descoberto pelos Sumérios há mais de 4 mil anos irá se chocar contra a Terra. A catástrofe estava inicialmente prevista para acontecer em maio de 2003, mas como nada aconteceu o dia do Juízo Final foi mudado para dezembro de 2012. Essa data foi escolhida por marcar um importante ciclo do Calendário Maia, que por pura coincidência termina exatamente no solstício de verão de 2012, no dia 21 de dezembro.

Quem eram os Maias?
Os Maias formavam uma civilização mesoamericana que atingiu o ápice do desenvolvimento entre 250 D.C e 900 D.C e é considerada como uma das mais dinâmicas sociedades do mundo pré-colombiano.
Os Mais eram excelentes astrônomos e observadores e mapearam com bastante precisão as fases e movimentos de diversos corpos celestes, especialmente a Lua e Vênus. Além disso, desenvolveram um complexo e preciso sistema de medição de tempo baseado em dois calendários principais chamados Tzolk'in, de 260 dias e Haab', de 365 dias, mas nem um dos dois numerava os anos.

O Calendário Maia
Para formar uma data os Maias faziam combinações entre um símbolo Tzolk'in e um símbolo Haab' e esse sistema era suficiente para satisfazer a maior parte da sociedade, já que qualquer combinação não se repetia antes de 52 anos, tempo bem maior que a expectativa de vida comum da época. Este período era conhecido como um Ciclo de Calendário e era sempre marcado por tensões e má sorte entre eles, que aguardavam ansiosos para ver se os deuses concederiam outro ciclo de 52 anos.
Apesar de ser um método engenhoso de contar os dias, o calendário de 52 anos não permitia aos Maias datar longos períodos de tempo e para isso era usado o calendário da contagem longa, de base 20.
A palavra Maia para dia era k´in. O período de 20 k´ins era chamado de Winal e 18 Winals, o equivalente a 360 dias, era chamado de tun. 20 tuns eram chamados de K´atun (19.7 anos) e 20 k´atuns eram chamados de B´ak´tun e equivalia a 394.3 anos. Se achou um pouco confuso a tabela abaixo ajuda a compreender.

Por que 2012?
Ao que tudo indica, toda a mística envolvendo o ano de 2012 se deve a uma interpretação errônea desse calendário, aliada à algumas coincidências verdadeiras e outras inventadas ou manipuladas.
No primeiro caso, não se sabe se por ignorância ou má fé, consideraram o último dia do 13º b´ak´tun (21 de dezembro de 2012) como a data derradeira do calendário, mas isso não é correto. Da mesma forma como nossa contagem não termina em 31 de dezembro, a contagem maia também não finaliza no 13 b´ak´tun, pois ainda se seguirão os b'ak'tuns 14º a 20º, continuação natural do calendário da contagem longa de base 20.

Má Fé
Segundo a pesquisadora Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou uma grande mudança cósmica é uma completa invenção e uma chance de muita gente ganhar dinheiro. "Usaram de má fé e ignoraram completamente a continuação do calendário de contagem longa. Não me surpreenderei se em janeiro de 2013 essas mesmas pessoas anunciarem uma nova data de fim do mundo", disse Noble.

Alinhamento
Com relação às coincidências, a primeira delas é que em 21 de dezembro o Sol atinge a maior declinação medida a partir da linha equador, quando se inicia o verão no hemisfério sul e inverno no hemisfério norte. Além disso, em 2012 estaremos praticamente no ápice do ciclo da máxima atividade solar, com maior quantidade de tempestades geomagnéticas ocorrendo no planeta. Juntando essas duas coincidências ao fato de que em 21 de dezembro sempre ocorre o segundo "alinhamento" anual entre o Sol, Terra e centro galáctico, fica fácil entender por que essa data foi escolhida.
Além das coincidências mostradas, 21 de dezembro de 2012 é a data que os místicos elegeram para o impacto do hipotético planeta Nibiru contra a Terra e também de uma alardeada abrupta mudança na orientação dos polos magnéticos da Terra.
Como foi dito no início do artigo, de acordo com os místicos parece que tudo acontecerá ao mesmo tempo em 2012. As consequências não são claras e cada defensor de uma teoria aponta rumos diferentes para os acontecimentos que se sucederão após 21 de dezembro de 2012, desde a destruição total do planeta até o início de uma Nova Era. No entanto, essa visão não é compartilhada pela ciência, que se baseia em fatos concretos e não em profecias ou ilusões.

Posição da Ciência
Com o objetivo de trazer um pouco de luz sobre o assunto, preparamos uma série de respostas de como a ciência enxerga as coincidências mostradas e o que de fato pode acontecer em 2012 sob esse ponto de vista. Perguntas como "Nibiru vai se chocar contra a Terra?" ou "Os polos magnéticos vão se inverter?" serão respondidas de forma simples e objetiva, sem muito tecnicismo.
Nossa intenção não é fazer com que as pessoas que tenham opinião contrária, mudem de opinião. Isso é praticamente impossível. Nosso objetivo é apenas mostrar a verdade científica para aqueles que ainda têm dúvidas sobre o assunto ou que nunca ainda tenham ouvido falar sobre ele.

Fatos e Mitos sobre 2012
Existem diversos sites e blogs dizendo que o mundo vai acabar em 2012. O que vai acontecer?
Nada de diferente ou de ruim vai acontecer com a Terra nesse dia. Não existe nenhuma catástrofe prevista pela ciência, nem planetas em rota de colisão, nem asteroides se aproximando a toda velocidade. Não existe nenhum fato científico que mostre que o mundo vai acabar em 2012.

É verdade que vai acontecer um alinhamento planetário em 2012?
Não, isso não é verdade. O que vai acontecer em 21 de dezembro de 2012 será o "quase alinhamento" entre a Terra, o Sol e o centro da Galáxia, mas é muito importante lembrar que isso ocorre todos os anos nessa época do ano e não apenas em 2012.
O suposto "alinhamento" também acontece em 21 de junho, quando a Terra está na posição contrária da órbita com relação a dezembro, ficando entre o Sol e o centro da Via Láctea. Essa disposição ocorre há milhões de anos e não constitui nenhuma novidade. Com relação aos outros planetas, nem de longe a posição deles em 21/12/2012 se assemelha a um alinhamento, conforme mostra a carta celeste.

Existe mesmo um planeta chamado Nibiru ou Planeta-X que vai se chocar com a Terra?
Nibiru é o nome de um suposto planeta proposto pelo escritor Zecharia Sitchin. Segundo ele, o planeta já era conhecido pelos Sumérios há mais de 5500 anos e tem um período orbital de 3600 anos.
No entender dos seguidores de Sitchin, Nibiru se aproximaria de novo em 2003, mas como nada aconteceu mudaram a data para 2012. Em 2008 diziam que já era possível vê-lo a olho nu a partir de 2009, mas como ninguém o observou até agora o assunto ficou meio esquecido.
Nibiru e outras histórias não passam de "pegadinha de internet" e antes do advento da rede mundial de computadores ninguém falava nesse assunto, que tomou fôlego a partir do final da década de 1990.
Não existe qualquer base científica para a afirmação da existência de Nibiru. Caso o planeta realmente existisse, astrônomos do mundo inteiro já o teriam visto e calculado sua órbita. Não seria necessário supertelescópios nem agências espaciais, apenas observações normais que qualquer pessoa pode fazer.
Com relação ao Planeta-X, esse é o nome que se dá a qualquer corpo hipotético que possa causar perturbações gravitacionais em outros objetos, mas que ainda não tenha sido descoberto. Plutão, por exemplo, já foi chamado de Planeta-X. Eris e Ceres também.
Atualmente, alguns cientistas especulam sobre a possibilidade de um objeto de grande dimensão localizado há mais de 1 ano-luz de distância (9 trilhões de km), nas proximidades da nuvem de Oort. A existência desse objeto foi proposta em 1999 pelo astrofísico John J. Matese, da Universidade de Louisiana, a partir de perturbações gravitacionais exercidas em cometas localizados no interior da Nuvem, mas até agora não foram encontradas provas de sua existência.

Os polos da Terra vão se inverter?
Muito se fala sobre a inversão dos polos magnéticos da Terra. Alguns dizem que eles se inverterão abruptamente, enquanto outros afirmam que quando isso acontecer a catástrofe será total.
Ao que tudo indica, desde que a Terra existe os polos magnéticos já trocaram de posição por diversas vezes. Essa informação foi obtida após a análise dos minerais ferromagnéticos contido nas rochas, que mostraram que essas inversões ocorrem em intervalos não regulares de cerca de 250 mil anos. No entanto, não existe qualquer comprovação de que isso oconteceu abruptamente, com exceção de algumas localidades do planeta que ainda estão sendo investigadas.
Segundo os geofísicos, as inversões do campo magnético são muito lentas e neste exato momento estamos passando por uma delas. Isso significa que em 250 mil anos os polos magnéticos poderão estar em lugares opostos ao que estão hoje.
Assim sendo, não há nenhum risco de que isso acontecerá em dezembro 2012.

O eixo da Terra poderá mudar de inclinação?
É importante explicar que a inclinação do eixo da Terra foi determinada há milhões de anos, quando todo o Sistema Solar ainda estava em formação. Não se sabe exatamente como isso aconteceu, mas acredita-se que foi devido ao choque com algum dos inúmeros asteroides que rodeavam nosso planeta naquela época.
Para que o eixo da Terra seja abalado é necessária uma força descomunal, inimaginável. Nenhuma força terrestre conhecida tem capacidade de alterar essa inclinação. Isso só seria possível se algum objeto muito grande, de dimensões planetárias, se chocasse contra a Terra e até agora os cientistas não tem conhecimento de qualquer objeto que esteja vindo em nossa direção.

A Atividade Solar está aumentando?
O Sol passa por períodos de alta e baixa atividade a cada 11 anos, chamados mínimos e máximos solares. Os cálculos mostram que o próximo máximo solar ocorrerá em março de 2013 e até lá deveremos observar momentos de muita instabilidade na estrela.
Em 2012 poderemos presenciar diversas tempestades solares, com efeitos na Terra que podem ir desde simples auroras boreais até avarias e blecautes elétricos, além de falhas nas radiocomunicação e panes em sistemas eletrônicos, especialmente satélites.
Responsável por milhões de dólares de prejuízo todos os anos, as tempestades solares são comuns e a cada dia novas medidas são tomadas na proteção e prevenção dos patrimônios sujeitos a esses fenômenos.
Apesar de possíveis prejuízos, cenários como aqueles apresentados em documentários, em que os humores do astro-rei causam blecautes mundiais que beiram o Armageddon, não passam de obra de ficção.

Resumindo
Para finalizar, se você está com medo de que alguma coisa desconhecida possa acontecer em 2012, nosso conselho é para você relaxar e não se preocupar. Não leve a sério os blogs e sites que apregoam o fim do mundo. No fundo, tudo o que eles querem é ter mais audiência e não estão nem um pouco interessados em explicar para você o lado científico das coisas. Para eles, quanto mais confuso você ficar, melhor.
Esperamos ter ajudado!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Se posso escolher, posso Mudar


Nós estamos sempre fazendo exatamente aquilo que queremos fazer. SEMPRE. Estejamos conscientes disso ou não. A vida é muito diferente para aquele que já se percebeu autor, o grande responsável, e não (mais) uma vítima dos acontecimentos, do meio externo, de si mesmo. É esta, pois, a importância de se fazer escolhas conscientemente (inclusive, escolher pensamentos ou como pensar)… Não para controlar os resultados, mas para ser verdadeiramente livre. Quando se está sempre só reagindo ou agindo baseado em impulsos ou condicionamentos, se está preso, escravizado por pensamentos e emoções que pensa não poder controlar. Assim, se é controlado pela mente, não é quem a controla. Entretanto, só é possível ser livre, só é possível mudar, evoluir, com algum grau de controle sobre si mesmo. Tal controle requer alguma consciência. Então, a maior e mais importante questão passa a ser: como crescer em consciência? Assim nos diz o Swami Dayananda Saraswati:
“Que é domínio da mente? É controlar ou investigar a massa cinzenta, as células do cérebro? Não. Aquilo que deve ser dominado não é o cérebro. O que deve ser dominado é a sua maneira de pensar. A mente é um caleidoscópio colorido de pensamentos fantasiosos que vêm e vão. Nem constante nem inquieta, sujeita a súbitos movimentos caprichosos, a mente é volúvel por natureza. Mas eu, o pensador, não necessito preencher as fantasias, nem ceder aos caprichos. Muitas são as fantasias e noções, isto é a mente. Mas eu sou a autoridade aprovadora.
Mesmo em termos relativos, a mente não é uma entidade definida, mas apenas uma coleção mutante de pensamentos moldados pela minha forma de pensar. Em geral, estas maneiras de pensar são de três tipos: impulsiva, na qual pensamentos não examinados, nascidos do instinto, mantêm o poder; mecânica, na qual um condicionamento prévio existente direciona a mente; e deliberada, onde o meu buddhi, a função avaliadora da mente, conscientemente examina as minhas idéias, aceitando-as ou descartando-as, de acordo com a minha estrutura de valores.
Existe um quarto modo de pensar: espontâneo, no qual os meus pensamentos, sem deliberação, concordam com os mais altos valores universais. Este tipo de pensar espontâneo só se manifesta, em nível absoluto, naquele que tem o autoconhecimento. Num nível relativo, o pensar espontâneo reflete o grau em que os valores universais se tornaram valores pessoais e assimilados. Em essência, o pensar espontâneo é o completo atmavinigraha (domínio sobre as minhas maneiras de pensar, sobre a mente). Como preparação para o autoconhecimento, no preocupamos com atmavinigraha relativo.
Atmavinigraha, domínio sobre minhas maneiras de pensar, pode ser somente relativo, uma vez que o completo controle requer conhecimento do Ser. Apenas este pode destruir por completo o domínio de gostos e aversões que impulsionam e condicionam minha maneira de pensar.
O que é domínio relativo? O domínio completo é caracterizado por espontaneidade. Se sou impulsivo ou condicionado, não sou um mestreSe sou deliberado, não sou um mestre completo. Mas, através da deliberação, posso ser um mestre relativo. O domínio relativo é caracterizado por vigilância edeliberação. Tenho um domínio relativo sobre meus modos de pensar, quando racionalmente examino meus pensamentos e os aceito de maneira consciente ou os descarto. O domínio relativo significa tanto submeter todos os impulsos a um exame racional rigoroso como também quebrar qualquer hábito de cair no automatismo.
Tudo que envolve atmavinigraha é atenção e vigilância. Se estou alerta e consciente do que minha mente está fazendo, sempre terei escolha sobre a minha maneira de pensar. Com escolha, posso mudar. Posso submeter o comportamento aos valores. Com escolha, posso aprender com os erros. Com escolha, posso manter compromissos frente a distrações. A escolha requer um estado alerta, o que torna possível um domínio relativo sobre meus modos de pensar.”

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

RELÓGIO ATÔMICO


APRESENTAÇÃO

Graças a importantes avanços técnicos, a arte de marcar o tempo de forma ultraprecisa, vem avançado rapidamente nos últimos anos. Hoje em dia, um bom Relógio de Césio marca os segundos com uma margem de erro de 10-13, o que equivale a diferença de um segundo em 300.000 anos.
Mas os protótipos bem sucedidos de Relógios Ópticos que extraem o tempo de átomos de cálcio ou íons de mercúrio, levaram os físicos a esperarem que dentro de três anos, essa margem de erro baixe para 10-18.
Antes de prosseguir, que tal dar uma olhadinha na História dos Relógios para entender sua criação e evolução?

HISTÓRIA DOS RELÓGIOS

Ao longo da história, várias foram as tentativas de se medir o tempo. Inicialmente a necessidade de marcar as divisões do dia e da noite deu origem aos Relógios de Sol. Com o passar do tempo, por volta do século XIII, o interesse por um instrumento mais confiável de medida, levou os artesões medievais à construção do primeiro Relógio Mecânico. Este já atendia as necessidades dos mosteiros e comunidades urbanas mas ainda não tinha precisão suficiente para aplicações científicas, pois atrasavam ou adiantavam em média 15 minutos por dia.
No final de 1656, um jovem astrônomo e matemático chamado Christiaan Huygens projetou o primeiro Relógio de Pêndulo , que era cem vezes mais preciso que os seus antecessores, com uma variação de cerca de um minuto por semana.
Esse tipo de relógio foi muito utilizado até a descoberta de uma fonte de freqüência extremamente uniforme e confiável: o quartzo. Os primeiros Relógios de Quartzo instalados em 1939, tinham variações de apenas dois milésimos de segundo por dia. E no fim da segunda guerra, sua precisão já tinha aumentado para o equivalente a um segundo a cada 30 anos. Mas a tecnologia do quartzo também não permaneceu como padrão por muito tempo.
Em 1948 foi criado o primeiro Relógio Atômico baseado na freqüência de ressonância natural do átomo, a oscilação entre dois de seus níveis de energia.
Na década de 50, experiências nos EUA e na Grã-Bretanha levaram ao desenvolvimento do Relógio Atômico de Fonte de Césio . Hoje, o tempo marcado por Relógios de Césio, tem uma precisão superior a um nanossegundo por dia.
Mas o que significa essa precisão? E o que na verdade quer dizer um segundo?

SEGUNDO

Em 1967, a definição internacional do tempo passou a basear-se no átomo de césio, hoje, um segundo equivale a 9.192.631.770 oscilações da freqüência de ressonância natural deste elemento.
A partir de escalas de tempo fornecidas por 150 relógios atômicos distribuídos pelo planeta, é calculada uma média ponderada, considerada o padrão primário de freqüência. Dessa forma podemos dizer que a rigor para medir o tempo, os relógios devem considerar o Césio, e essa é uma das grandes dificuldades dos fabricantes de relógio.

RELÓGIO ATÔMICO

A princípio os relógios atômicos funcionam exatamente como todos os outros relógios, eles possuem um oscilador que vibra regularmente e um contador que converte o número de oscilações em segundos. Num Relógio de Césio , como veremos a seguir, esse dispositivo não é mecânico (como um pêndulo), nem eletromecânico (como um cristal de quartzo). É quantum-mecânico: um fóton de luz é absorvido pelo elétron da camada externa do átomo de césio, fazendo com que este elétron inverta o seu campo magnético e spin associado a ele. Ao contrário dos pêndulos e cristais, todos os átomos de césio são idênticos e invertem o seu spin quando atingidos por uma microondas de frequência 9.192.631.770 ciclos por segundo.
Mas nada é tão simples em Física Quântica. Para complicar as coisas temos o Princípio de Incerteza de Heisenberg que estabelece limites exatos para o grau de precisão com que é possível medir a frequência de um átomo isolado. Para superar esse limite os cientistas consideram mais de um milhão de átomos por vez. Como nesse caso não se trata de apenas uma medida, não transgride as leis da mecânica quântica.
Mas as dificuldades não acabam aí, pois tal solução cria novos problemas. Dentro de um relógio de césio um forno aquece o metal até este ferver tornando-se um gás. Devido a energia térmica, os átomos aquecidos se movimentam aleatoriamente, alguns se movimentam tão rápido que é como se para eles o tempo tivesse parado (devido a relatividade ), enquanto para outros as microondas parecem ter uma frequência maior ou menor do que realmente têm (devido ao efeito Doppler).
Mas dessa forma os átomos não se comportam mais de forma idêntica, e anteriormente vimos que a vantagem do átomo sobre os outros osciladores (pendulo ou quartzo) é justamente o fato de todos serem idênticos. Pois bem,o que será que Heisenberg teria sugerido? Que tal abaixar a temperatura? Com a temperatura mais baixa, a energia térmica também diminui e com ela a velocidade dos átomos, diminuindo os efeitos relativísticos e de Doppler.
Atualmente os quatro ou cinco melhores relógios atiram balas de césio super resfriado numa câmara de microondas, como mostra a figura acima. Para condensar o gás aquecido de césio numa bala, seis feixes de laser se intercruzam, desaceleram os átomos, fazendo-os chegar a uma temperatura menor que dois microkelvins, quase repouso total. Essas balas gasosas são lançadas numa cavidade de microonda, que altera o spin do seu elétron da última camada do césio. Um laser de prova excita novamente os átomos para descobrir quantos deles chegaram ao estado desejado. Um circuito de realimentação ajusta a frequência da microonda até ela detectar a ressonância natural do momento em que acontece a inversão do spin do átomo de césio, e liga o contador do relógio.
Mas os relógios de fonte ainda deixam a desejar, já que para se obter um bom segundo, deveríamos aumentar a altura da fonte. Hoje um relógio de fonte de dois metros de altura, tem meio segundo para inverter o spin, para duplicar esse tempo deveríamos quadruplicar a altura da fonte. Ao invés de abrir um buraco no teto do laboratório, os cientistas pretendem levar os relógios de fonte para o espaço. Com a gravidade zero, uma bala lançada a 15 centímetros por segundo numa fonte de 74 centimetros, proporcionaria 5 a 10 segundos de observação, aumentando assim a precisão na medida do segundo.
Relógios baseados em outros átomos vêm sendo desenvolvidos com o intuito de aumentar ainda mais a precisão, e superar os problemas dos Relógios de fonte de césio. Entre esses relógios destaca-se o Relógio Atômico Óptico , que se baseia num único átomo de cálcio ou em íons de mercúrio. A margem de erro desse tipo de relógio será abaixo de 10-18.

Tire as suas dúvidas...

Princípio de Incerteza de Heisenberg

O que o princípio da incerteza diz essencialmente é que não existe meio de medir com precisão as propriedades mais elementares do comportamento subatômico. Ou melhor, quanto mais precisamente você mede uma propriedade menos precisamente você pode conhecer outra. Mais certeza de uma, mais incerteza de outra.
Heisenberg, ao investigar as medições comuns aos físicos, tais como: posição, velocidade, quantidade de movimento, energia e tempo. Chegou a uma conclusão surpreendente que levou ao desenvolvimento de sua teoria. No caso de partículas subatômicas, para observar por exemplo a posição do elétron, era necessário fazer algo rebater nele - luz, por exemplo. Em outras palavras, você tem que introduzir uma forma de radiação, a qual tem sua própria energia, e essa energia vai perturbar o caminho do elétron em maior ou menor grau. De fato, quanto mais precisamente se deseja medir a posição de um elétron, mais energia deverá ser adicionada a radiação incidente, e portanto maior será a variação na quantidade de movimento do elétron. No entanto, se o que você deseja é medir a quantidade de movimento, então a interferência da radiação deve ser minimizada, mas dessa forma, torna-se impossível determinar precisamente a posição do elétron.
Resumindo, radiação de alta energia dará a você dados mais precisos sobre a posição do elétron em um dado momento, enquanto que destrói a evidência de sua velocidade inicial. Radiação de baixa energia dará a você dados mais precisos sobre a rapidez com que ele se move em um dado tempo, enquanto que encobre os dados sobre sua localização. E o que é ainda mais estranho, o próprio ato de observar a posição de um elétron vai fazer com que ele "se comporte" mais como uma partícula, enquanto que o ato de medir sua energia fará com que ele "se comporte" mais como uma onda.
Depois dessas conclusões, Heisenberg definiu uma fórmula para expressar como se comporta essa incerteza: Sendo dx a incerteza na posição, dp a incerteza na quantidade de movimento e h a constante de Planck, o Princípio de Incerteza pode ser definido como:
dx dp > h
Ou ainda
dE dt > h
Onde dE é a incerteza na medida da energia e dt é a incerteza no tempo.
Isto é, a incerteza nunca pode ser reduzida a zero, e quanto melhor você medir uma quantidade mais incerta será a outra.
Não é que o nosso conhecimento sobre as partículas atômicas seja incerto porque nossas técnicas de medição ainda não são suficientemente boas. O ponto é que técnica alguma jamais poderá superar a incerteza fundamental do comportamento de grandezas quânticas.
Em termos práticos, o que o princípio da incerteza sugere é que você não pode tratar partículas quânticas como se fossem iguais aos objetos de nossa vida diária - objetos que podemos apontar e dizer: "Este objeto está aqui, agora, e é para lá que ele está indo". Os aspectos essenciais de uma partícula (posição, velocidade, quantidade de movimento, energia) nunca podem ser imediatamente observados com precisão - o próprio ato da observação, inevitável e irremediavelmente, distorce pelo menos uma dessas características.

Spin

É o momento angular intrínseco de uma partícula subatômica. Na física atômica e de partículas existem dois tipos de momento angular: o momento angular de spin e o momento angular orbital. O spin é uma propriedade fundamental de todas as partículas elementares e existe ainda que a partícula não se mova; o momento angular orbital se deve ao movimento da partícula. O momento angular total de uma partícula é uma combinação dos momentos angulares orbital e de spin. A teoria quântica afirma que o momento angular de spins pode assumir determinados valores discretos. Esses valores discretos se expressam como múltiplos inteiros ou semi-inteiros da unidade fundamental do momento angular

Energia Térmica

As moléculas constituintes da matéria estão em contínuo movimento, denominado agitação térmica. A energia cinética associada a esse movimento é chamada energia térmica. Podemos considerar a temperatura de um corpo como sendo a medida do grau de agitação de suas moléculas. Dessa forma , supondo não haver mudanças de fase, quando o corpo recebe energia térmica, suas moléculas passam a se agitar mais intensamente: a temperatura aumenta. Ao perder energia, as moléculas do corpo se agitam com menor intensidade: a temperatura diminui.

Relógio de Sol

O relógio de sol mais primitivo que se tem conhecimento, era constituido de uma haste vertical fincada na terra. Associava-se o movimento da sombra provocada por esta haste com o passar do tempo durante o dia, podia-se saber quanto tempo de luz ainda restava antes de chegar o anoitecer. Mais tarde alguém teve a ótima idéia de inclinar esta haste em direção ao polo celeste, dando origem ao primeiro quadrante solar, fazendo com que as horas fossem razoavelmente iguais em todos os dias do ano, melhorando muito a precisão da pequena vareta enfiada no chão. A preocupação do homem com a medida do tempo foi ficando cada vez maior, o que levou a criação do relógio de água que eram usados para medir o tempo durante a noite ou quando não havia sol. Mais tarde ainda surgiram as ampulhetas ou relógios de areia.
http://www.observatorio.diadema.com.br/index2.html
Neste site você encontra um projeto que utiliza o "Relógio de Sol" como recurso pedagógico na área de ciências , História e Geografia.
http://www.caern.com.br/relogiodosol/

O Relógio de Sol apresentava desvantagens: só funcionava no período diurno e em dias ensolarados. Essa dificuldade fez com que se procurasse novas formas de medir o tempo. Observou-se que um líquido em um reservatório, ao vazar por um pequeno orifício, mantinha uma certa regularidade. A partir desta idéia, criou-se, então, o Relógio de Água ou Clepsidra. Esses relógios constituíam-se por dois recipientes, marcados com escalas uniformes de tempo, dispostos de forma que a água pudesse escoar, por gotejamento, de um para o outro. Um flutuador (bóia) auxiliava as leituras temporais. Esses relógios não eram muito precisos, devido à variação da temperatura que alterava a viscosidade da água, tornando o fluxo irregular.

Relógio Mecânico

Os primeiros relógios mecânicos foram construídos por volta de 1300. Eles possuiam pesos descendentes (responsáveis pela força motriz), engrenagens (que transmitiam a energia) e um dispositivo chamado escape (a peça mais inovadora dos primeiros relógios mecânicos. O escape controla a rotação das engrenagens e transmite a energia destinada a manter o movimento do oscilador, o qual por sua vez, regula a velocidade de operação do relógio.
Este foi UM DOS PRIMEIROS RELÓGIOS MECÂNICOS.
Construído entre 1327 e 1336. Encomendado por
Richard de Wallingford, matemático inglês e abade da
Abadia de Santo Albano, para ajudar os frades a
seguir a rotina diária.



Graças aos seus estudos ,ao estabelecer as leis do pêndulo, Galileu viu nesse instrumento a possibilidade de utiliza-los como reguladores de tempo, porem o inventor do relógio utilizando os princípios do pêndulo foi Huygens em 1657. No relógio de Huygens, o movimento do pêndulo, influenciado pela gravidade, substitui a oscilação, movida por meios puramente mecânicos, do filiot horizontal. O rítmo do pêndulo passa a regular a ação da haste do escape e a rotação das rodas, as quais por sua vez, transmitem de forma mais confiável e precisa a ação de mecânismo aos ponteiros do mostrador.

Relógio de Quartzo

No fim da década de 60, o oscilador mecânico foi substituido por um oscilador eletrônico baseado no uso de transistores. Os cristais de quartzo são piezelétricos, ou seja, vibram quando submetidos a uma diferença de potencial. Quando é conduzido pela voltagem até sua frequencia harmônica, o cristal oscila de maneira ressonante, como um sino. A saída do oscilador é então convertida em impulsos apropriados aos circuitos digitais do relógio, que operam um visor digital ou ponteiros acionados eletricamente.

Relógio Óptico

Usando uma elaborada tecnologia de laser e um único átomo de mercúrio, cientistas do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos criaram o relógio mais preciso do mundo. O aparelho, um novo tipo de relógio atômico, produz 1 quatrilhão de "tiques" por segundo - os atômicos atuais, de césio, batem num intervalo 100 mil vezes menor. O chamado relógio óptico (porque utiliza um laser) foi descrito na revista científica norte-americana "Science" (www.sciencemag.org).

Efeito Doppler

Você já percebeu que quando um carro passa buzinando, o som de sua buzina é mais agudo quando se aproxima e mais grave quando está se afastando? Mas para quem está dentro do veículo o tom não muda.
O que será que está acontecendo? Porque essa diferença?
Em 1842, Christian J. Doppler, um físico austríaco, conseguiu explicar porque isso acontecia.
A velocidade do som no ar é de 344 m/s a 20 ºC. Quando a fonte sonora se desloca a uma velocidade relativamente grande, pelo menos uns 10% da velocidade do som, as frentes de onda que se aproximam são comprimidas e o som parece mais agudo, enquanto elas se rarefazem quando a fonte do som se afasta. Este fenômeno foi chamado de efeito Doppler.
Na luz, este efeito é mais difícil de ser observado. Um dos motivos é que a velocidade da luz é muito grande, c = 300 000 000 m/s.
Hoje o efeito Doppler é muito utilizado em instrumentos de medição, não ficando apenas limitados aos fenômenos acústicos, os radares por exemplo, utilizam o Efeito Doppler em ondas eletromagnéticas para detectar obstáculos.
Em 1924, Edwin Hubble analisando o espectro de galáxias distantes percebeu que eram constituidas dos mesmos materiais já conhecidos, só que suas raias estavam deslocadas para o vermelho. E quanto mais distantes maior o deslocamento para o vermelho (redshift).
De acordo com o efeito Doppler, quando uma fonte de luz está se aproximando do observador a frequência recebida será maior do que a frequência real e quando a fonte de luz está se afastando, a frequência recebida será menor do que a real. Se observar o espectro eletromagnético abaixo, você perceberá que a frequência da luz vermelha é a menor do espectro óptico, logo um deslocamento para o vermelho significa que a fonte (uma galáxia, por exemplo) está se afastando.
Com o Efeito Doppler podemos calcular a que velocidade uma galáxia está se afastando, e foi com isso que surgiu a idéia de Universo em expanção.

ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

Relatividade

A teoria da relatividade é constituida por duas teorias diferentes: teoria da relatividade restrita e teoria da relatividade geral. Neste texto vamos na teoria da relatividade restrita que pode ser deduzida a partir de dois postulados propostos por Einstein em 1905.
1- Não se pode perceber o movimento absoluto.
2- A velocidade da luz é indepedente do movimento da fonte. Ou ainda, qualquer observador mede sempre o mesmo valor para a velocidade da luz.
Muitas das consequencias desses postulados contradizem o senso comum. Para entender algumas dessas consequencias imagine o seguinte:
Uma bola e dois meninos.
Um desses meninos chuta a bola que adquire uma velocidade V1 e ao mesmo tempo começa a correr com velocidade V2. O menino que continuou parado vê a bola se distanciando com velocidade V1, já o menino que está correndo vê a bola se distanciando com velocidade (V1 - V2).
Para entender melhor o que isso quer dizer imagine que a velocidade V1 da bola seja 10m/s e que a velocidade V2 do menino seja 5m/s. O menino que está parado vê a bola se distânciando a 10m/s, já para o menino que está correndo, a bola parece estar a ( 10- 5= 5m/s ).
No caso em que as velocidades são muito menores que a velocidade da luz ( c = 3 x 108 m/s ) esta relação é correta, mas se no lugar da bola tivéssemos um feixe de luz, com velocidade c? O segundo menino veria o feixe com velocidade (c - V2) ?
De acordo com o segundo postulado, a velocidade da luz tem o mesmo valor para qualquer observador, desta forma os dois meninos observarão a luz com a mesma velocidade c. O que contraria o senso comum.
A incoerencia dos cálculos clássicos levaram a formulação da uma transformação relativistica, que está de acordo com os postulados de Einstein. Esta transformação é conhecida como Transformação de Lorentz:
Considerando dois referenciais um parado e um se movendo com velocidade V sobre o eixo x:

A transformação de Lorentz fica:
x' = A ( x - V )
x = A ( x' - V )
t' = A ( t - Vx/c2)
t = A ( t' + Vx'/c2)
Onde A é uma constante dada por:
A = ( 1 - V2/c2)-1/2
Se observarmos a relação acima, poderemos perceber que quando V é muito menor que c, A é igual a 1. Que é exatamente o caso clássico.
Várias são as aplicações e consequências da transformação de Lorentz, uma delas é a dilatação do tempo e a contração do espaço.
Se imaginarmos dois eventos acontecendo no mesmo referencial, um no instante t1 e outro no instante t2 , a diferença de tempo entre esses dois eventos neste referencial será ( t1-t2 = tp ) onde tp é chamado tempo próprio. Atravéz da Transformação de Lorentz, podemos calcular qual seria diferença de tempo entre os dois eventos vistos de outro referencial:
t'2 - t'1 = A (t2-Vx'/c2) - A (t1-Vx'/c2) = A (t2 - t1)
t' = A tp
Como A é sempre maior do que 1, então o intervalo de tempo t' é sempre maior do que tempo próprio tp, o que é conhecida como dilatação do tempo.
O mesmo pode ser obtido para os comprimentos.
A distância entre dois eventos no mesmo referencial Lp poderá ser encontrado em função de outro referencial atravéz da transformação de Lorentz, o que resultará como mostra a equação abaixo, numa diminuição da distância.
L' = Lp/A
Esse efeito é conhecido como contração dos comprimentos ou contração de Lorentz.
Outra várias consequencias podem ser obtidas atravéz da Transformação de Lorentz e os Postulados de Einstein

Relógio atômico mais preciso do mundo marca novo recorde

Com informações do NPL, BBC e PSU - 26/08/2011
Relógio atômico mais preciso do mundo
Este é o relógio mais preciso do mundo, um relógio atômico de fonte de césio.[Imagem: National Physical Laboratory]
Melhor que relógio suíço
Uma nova aferição apontou que o relógio atômico do Laboratório de Física Nacional da Grã-Bretanha é o mais preciso do mundo.
Segundo a pesquisa, feita por pesquisadores norte-americanos e britânicos, o relógio CsF2 tem uma precisão de 2,3 × 10-16 - ele atrasa ou adianta um segundo a cada 138 milhões de anos.
O recorde anterior era de um relógio atômico feito com um único átomo de mercúrio, que corre o risco de errar um segundo a cada 70 milhões de anos.
Relógio de fonte de césio
O CsF2 é um relógio de fonte de césio que usa o movimento em forma de fonte dos átomos de césio para determinar a duração de um segundo.
Os átomos são reunidos em maços de cerca de 100 milhões e direcionados através de uma cavidade onde são expostos a ondas eletromagnéticas.
Estas ondas estimulam o átomo para que ele oscile de forma regular. O Sistema Internacional de Unidades (SI) considera que 9.192.631.770 ciclos de radiação equivalem a um segundo.
Tempo internacional
O novo relógio mais preciso do mundo pertence é um dentre um grupo de relógios de fonte de césio que foram construídas pelos laboratórios de tempo na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, para servir como "padrão primário de frequência" para a medição de tempo.
Estas medições nacionais são reunidas para a geração de uma média para a produção do Tempo Atômico Internacional e do Tempo Universal Coordenado, que são usados como escalas de tempo em todo o mundo para tais processos críticos como as comunicações globais, navegação por satélite e tempo oficial para as transações financeiros e mercados de ações.
O método utilizado para melhorar o relógio do Reino Unido também poderá servir para avaliar os relógios de fonte de césio de outros países, melhorando substancialmente a medição mundial do tempo.


Como funciona o relógio atômico?


A princípio, de um jeito simples. Ele é basicamente um relógio comum, movido a quartzo, mas com uma diferença: a hora que ele marca é acertada sempre, sem parar. Isso porque os ajustes são feitos com base em átomos que "vibram" de um jeito extremamente preciso, bilhões de vezes por segundo. Por isso, esses relógios praticamente não atrasam nem adiantam. Os mais modernos erram no máximo dois bilionésimos, ou nanossegundos, por dia, contra dez milésimos dos melhores relógios de quartzo. Assim, para perder ou ganhar um segundo, um bom relógio atômico demoraria mais de 1 milhão de anos! E mesmo essas incorreções mínimas são eliminadas por uma rede mundial com centenas dessas máquinas interligadas via satélite. Parece exagero, mas não é. Muitas coisas nem sequer existiriam sem esse grau de precisão.
O Sistema de Posicionamento Global (GPS), que serve, entre outras coisas, para guiar via satélite os aviões, é uma delas. "O GPS diz a posição de um avião, por exemplo, calculando o tempo com que um sinal sai do satélite e chega à aeronave. Assim, um atraso de três nanossegundos no relógio do satélite significa um erro de 1 metro em sua posição", diz o físico americano Donald Sullivan, que comanda o relógio atômico mais preciso do mundo, no Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos. Com tanta exatidão, esses relógios, criados em 1949, se tornaram a base da definição do tempo. Desde 1967, o intervalo de um segundo foi determinado como o tempo em que um átomo de césio 133, o mais usado nos relógios, "oscila" 9 192 631 770 vezes.
Ajuste eterno Átomos que vibram regulam os bilionésimos de segundos 1. Átomos de césio 133 são aquecidos e lançados em forma de raio
2. Ímãs separam os átomos capazes de receber energia
3. Aqui os átomos são expostos à energia em forma de ondas. Cada um deles só absorverá a energia se as ondas estiverem em uma freqüência de 9 192 631 770 hertz, ou ciclos por segundo (veja quadro acima)
4. Um oscilador de quartzo (igual ao dos relógios comuns) ajusta o mecanismo que envia ondas para ele lançar freqüências próximas àquela que o césio pode absorver. A freqüência ainda não é exata, pois o oscilador não é suficientemente preciso
5. Entre as diferentes ondas de freqüência, algumas estarão a exatos 9 192 631 770 hertz. Assim alguns átomos de césio receberão energia
6. Aqui os átomos que receberam energia são separados por ímãs e identificados por um detector, que avisa ao oscilador que ele atingiu a freqüência correta
7. A freqüência, agora exata, é dividida por 9 192 631 770 (o valor dela em hertz). O resultado é um pulso por segundo, que é marcado pelo relógio com precisão de bilionésimos. Para manter a exatidão, o processo é repetido o tempo todo
Na onda certa Freqüência é o número de ciclos — cristas e depressões — que uma onda dá em um segundo. Se uma onda estiver acima (linha azul) ou abaixo (linha amarela) de 9 192 631 770 ciclos por segundo, o átomo de césio 133 não receberá a energia que ela carrega. No caso do césio, esse longo número é a sua freqüência de ressonância, aquela em que esse átomo absorve ou emite energia (linha verde). Simplificando muito, é a freqüência em que ele vibra


terça-feira, 18 de setembro de 2012

AS BARATAS


Baratas são artrópodes da classe dos insetos. Todavia, para os humanos, elas não tem nenhuma classe e são seres bem asquerosos. Qualquer um de nós é capaz de matar uma barata fácil, fácil. Muitos tem pena dos pássaros, alguns gostam das tartarugas, outros dos pandas, porém ninguém sente qualquer compaixão pelas pobres baratas, aliás todos sentem é nojo só de pensar nelas existindo por ai. Mas a despeito de todo empenho humano aplicado para exterminá-las, elas resistem e estão por toda parte, até mesmo nos lugares mais improváveis. Habitando os cantos mais inusitados, ocupando frestas inóspitas, enfeitando os lindos esgotos da vida ,vivendo dos nossos restos, enfim.

As baratas estão mesmo fadadas a serem bichos escrotos. Para elas não há salvação. Nunca ninguém fundará a sociedade protetora das baratas, nem levará os filhos para visitá-las no jardim zoológico ou no circo. As baratas estão sozinhas nesse mundo cão.

Atento para o fato de que apesar das adversidades as baratas continuam firmes. Inventamos inseticidas cada vez mais potentes, venenos cada vez mais eficazes mas elas resistem e não dão nem sinal de que podem entrar em extinção algum dia. As baratas não estão nem ai. Não ligam pra nada mesmo . Não são de fazer cerimônia. Persuasivas, nunca são bem vindas , embora quase sempre compareçam. E sempre vistas com maus olhos.

As baratas não servem nem de cobaia porque não são de confiança. Ninguém coleciona baratas como fazem com as borboletas. E elas parecem não ser tão unidas quanto as formigas. Embora aparentemente sejam mais livres. Elas sobrevivem sem celular, não vão nunca a teatros e não navegam na Internet, ou seja, elas não tem o mínimo de sofisticação.

As baratas não lêem a bíblia. Elas mofam e ficam a espreita. Na calada da noite surgem timidamente e se instalam onde não foram chamadas. Acho que as baratas já sacaram que os humanos não vão com a sua cara. Elas são bem espertas. Parecem tolas mas não são não. Elas se acham espertas em seu mundinho de bosta e assim como nós vão sobrevivendo.

As baratas são meio chatas e possuem antenas além de patas articuláveis, ah! e também exoesqueleto. Baratas não tem sangue de barata. No lugar do sangue elas tem linfa – uma meleca branca que serve muito bem para elas viverem. Barata não tem medo de barata mas não se arrisca muito com outros bichos. Elas ficam na delas. As mais audaciosas saem voando para desespero das fêmeas da espécie humana que, quando estão naqueles dias, choram. Com as baratas não tem frescura, mesmo as baratas fêmeas são duronas e cospem em tudo. As moscas podem voar bem mais alto embora sobrevivam por apenas algumas horas. A vida de uma barata pode durar semanas para o desespero das pessoas. Como já foi dito as baratas não lêem a bíblia, mas nem por isso vão para o inferno, elas acreditam no seu deus baratão que vai salvá-las no final. Não sabem rezar mas mexem as antenas para manifestar seu apreço pelo inseto superior.

As baratas são alegres e calmas e às vezes agitadas e tristes. Às vezes elas se fingem de mortas ficando de barriga pra cima mas depois ressuscitam e dão no pé. As baratas comem de tudo menos barata, o que já demonstra um certo grau de civilização.

As baratas não dormem nunca, nem escrevem poemas. As baratas são simples, modestas e até simpáticas, quando estão mortas. As baratas não gritam nem se desesperam, pois não são de fazer alarde. Elas suportam.

As baratas velhas ensinam aos seus filhos baratinhas a temer os humanos e a mexer as antenas em louvor ao todo poderoso deus baratão, pobres baratinhas indefesas que são.

Cada transa de uma barata dura em média um segundo. De uma transa bem sucedida podem surgir mais de duzentas baratinhas de uma vez. Essa deve ser uma possível explicação para haver tanta barata assim no mundo. Dizem os cientistas , aqueles caras que estudam as baratas e tudo mais, que somente as baratas resistirão a um desastre nuclear. Como se pode notar as baratas são obstinadas e não são de morrer por qualquer bobagem. Elas não fundaram um sindicato para garantir os direitos da classe por que não leram Marx e portanto estão alienadas. As baratas se trabalhassem numa fábrica certamente seriam exploradas. Ainda bem que elas são autônomas.

As baratas não contam o tempo, elas apenas se entopem de porcarias e depois defecam. Ainda bem que as baratas não são do tamanho dos elefantes. Acho que as baratas não sabem de nada. Nem imaginam o que está por trás de tudo. As baratas são tão distraídas que nem sabem que existem. Elas apenas aparecem ali e ficam.

As baratas não sacam Nietzsche nem nada. Do contrário se tornariam super baratas e zombariam do deus baratão. Além do mais diriam que o deus baratão morreu e que foram as reles baratinhas que o mataram. Mas de fato isso não acontece.

Eu não seria capaz de comer barata nem mesmo por grana. Mas se estiver passando fome quem sabe? Não tenho menos nojo de barata do que de gente. Gente também é bem nojenta. Não gosto de barata mas se fosse um costume antigo ou uma nova moda tê-las por bicho de estimação talvez eu não pudesse resistir e teria uma. Seu nome seria Kafka.
Entretanto, como diz um velho ditado humano – Barata boa é barata morta!

As baratas servem para alguma coisa? Bem, assim como as moscas, os mosquitos e os ratos, elas também prestam para reciclar material orgânico, ou seja, sem eles haveria muito mais sujeira e cadáveres (sem se decompor) por aí. Quer dizer, só as baratas que vivem na natureza, pois as caseiras não empenham nenhum papel ecológico!

As baratas caseiras são apenas 1% das mais de 4000 espécies diferentes que existem na Terra, mas só isso j
causa um enorme estrago entre os seres humanos. Isso por causa da sua alimentação (que é rica em restos de comida e animais e vegetais mortos, e por isso suas patas desseminam várias doenças por onde passam), sua resistência (elas conseguem sobreviver um mês sem comer e vários dias com a cabeça arrancada, e sobreviver à uma explosão nuclear (deve ser por isso que a Usina Nuclear de Springfield vive cheinha delas)), seus pelinhos do traseiro (são chamados de cercis e "capazes de perceber movimentos sutis do ar e lhe permitem obter informações sobre possíveis ameaças, como localização, tamanho e velocidade. Além disso, elas enxergam muito bem, mesmo quando não há luz, e seus ouvidos são capazes de detectar até os passos de outra barata", afirma Ana Carolina Prado, jornalista e escritora do blog Superlistas), além do seu terrível hábito de "roer os lábios das pessoas durante o sono para pegar partículas de alimentos", fala de Ana, outra vez (durma com uma informação dessas! Atenção: Esta frase está em branco, pois pode causar insônia e muito medo para os mais sensíveis, então só selecione-a se for corajoso o bastante ou curioso). O problema é acabar com esses repugnantes insetos, sorte que a Super dá uma dica: "Aerossóis e outros produtos na forma líquida são eficientes contra a barata de esgoto (Periplaneta americana); para matar a barata de cozinha (Blattella germanica), as formulações gel são as mais indicadas.".

Apesar de tudo isso cientistas britânicos descobriram que há uma fonte de antibióticos em suas cabeças! De acordo com as pesquisas deste grupo de cientistas, no cérebro das baratas são acumulados compostos químicos muito potentes, capazes de eliminar super-bactérias! Leia um trecho doartigo escrito por Rodrigo Itao publicado no site Planet WTF: "Os cientistas identificaram nove compostos químicos diferentes nos cérebros das baratas e lagostas, segundo publicou o site especializado Science Daily. Estas substâncias, segundo os cientistas, contêm propriedades antimicrobianas suficientes para matar pelo menos 90% dos Staphylococcus aureus, que são resistentes a meticilina, sem causar danos às células humanas. [...] “Acreditamos que seu sistema nervoso precisa estar continuamente protegido porque se essa proteção quebrar, o inseto morre. Inclusive o animal pode sofrer danos nas suas estruturas periféricas sem morrer”, explicou.".

Existem mais de 5 mil espécies de baratas. Um detalhe: mil vivem no Brasil.

O único lugar onde não existem baratas são as calotas polares – ou seja, os extremos congelantes do planeta.

Das 5 mil espécies de baratas conhecidas, apenas 1% são consideradas pragas urbanas.

A espécie mais comum no Brasil é a Periplaneta Americana (ou barata americana). O curioso é que, apesar do nome, ela tem origem na África. 

O registro fóssil mais antigo de uma barata tem por volta de 200 milhões de anos (prova de que elas conviveram com os dinossauros).

Enquanto um ser humano consegue suportar 12 vezes a gravidade da Terra, a barata é capaz de aguentar 126 vezes.

Uma barata vive entre 5 e 6 meses (depende da espécie), mas é capaz de deixar 800 descendentes.

As baratas possuem pequenos pêlos no abdômen que permitem detectar “vibrações” no ar e descobrir se algum inimigo (uma chinela, por exemplo) se aproxima. Essas vibrações também são percebidas pelos pêlos das pernas.

As antenas funcionam como sensores gustativos, táteis e olfativos.

A audição da barata é tão sensível que ela é capaz de detectar a aproximação de outra barata, bem como pequenos tremores de terra (algo como 0,07 graus na escala Richter).

Baratas transmitem 32 doenças por bactérias, 17 por fungos, 3 por protozoários e 2 por vírus.

Quer uma idéia das doenças transmitidas por baratas? Então, aí vai: cólera, peste, febre tifóide, herpes, poliomielite, conjuntivite…

Algumas espécies de baratas podem sobreviver um mês sem uma gota d´água.

Baratas podem sobreviver vários dias sem a cabeça.

Baratas podem se arrastar dezenas de metros mesmo com as vísceras expostas depois de uma chinelada.

Se uma pata da barata fôr arrancada, ela pode recuperá-la em poucos dias.

Baratas não dormem, mas se recolhem durante o dia. Aliás, não custa avisar: se você costuma encontrar baratas durante o dia em sua casa, é sinal de que a população delas anda muito alta.

Baratas correm tão rápido que, se tivessem o mesmo tamanho de um ser humano, atingiriam com facilidade a velocidade de 320 Km/h.

Um curiosidade bem nojenta (mesmo!!): baratas podem roer os seus lábios enquando você dorme.

Agora, uma curiosidade ainda mais nojenta (meeeesmo!!!!): baratas podem introduzir a cabeça nas narinas de uma pessoa para comer secreções.
Mais afinal, para que serve a barata?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

E se Os continentes não tivessem se separado?


E Se...

Os continentes não tivessem se separado?

Em um mundo como esse, pobre em biodiversidade, a vida é mais vulnerável – como há poucas espécies, aumentam as chances de que uma única tragédia destrua todas.

 

A Pangea foi um imenso continente que existiu entre 280 e 180 milhões de anos atrás, numa época em que o mundo era habitado pelos dinossauros. Naquele tempo, quase toda a massa continental que hoje compõe as Américas, a Europa, a África, a Oceania, a Ásia e a Antártida estava grudada e formava uma imensa massa contínua de terra . Acontece que os continentes e os oceanos estão assentados numa fina casquinha que flutua ao sabor da correnteza de rocha derretida que recheia a Terra. Com o tempo, essa correnteza despedaçou a Pangea e jogou cada pedacinho para um lado, dando origem aos continentes que conhecemos hoje.

Se essa casquinha fosse mais resistente, ou a correnteza mais fraca, a Pangea continuaria unida até hoje e este seria um mundo bem diferente. O efeito mais imediato é que existiriam menos espécies animais e vegetais sobre a Terra. “O isolamento geográfico aumenta a diversidade biológi- ca”, afirma o paleontólogo Reinaldo Bertini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, interior de São Paulo.

Foi a separação dos continentes que fez com que grupos de animais e vegetais tomassem caminhos evolutivos diversos e começassem a se diferenciar. A enorme diversidade das Ilhas Galápagos (América do Sul) e de Madagáscar (África), que se separaram de seus respectivos continentes, são exemplos do efeito dessa divisão. Com a fragmentação da Pangea, o número de espécies de dinossauros cresceu. Os mamíferos, que, naquele tempo, não passavam de pequenos quadrúpedes mais insignificantes que os ratos modernos, também começaram a se diversificar.

O clima também mudaria radicalmente – seria muito mais seco. Hoje, com vários continentes pequenos, os ventos úmidos que sopram do mar levam chuva até o interior. Com a Pangea isso não aconteceria. Haveria uma massa de terra tão imensa que seu centro jamais seria tocado pelos ventos úmidos. Com toda a certeza, proliferariam os desertos e eles seriam muito maiores e mais inóspitos que o Saara. O Brasil, por exemplo, seria árido como o Afeganistão. As florestas, onde se concentra a maioria das espécies, seriam poucas e concentradas no litoral.

Em um mundo como esse, pobre em biodiversidade, a vida é mais vulnerável – como há poucas espécies, aumentam as chances de que uma única tragédia destrua todas. Seria essa Terra que, há 65 milhões de anos, se chocaria com um asteróide, levantando uma imensa nuvem de poeira que bloquearia o Sol e mataria boa parte das plantas. No mundo real, dividido em continentes, esse desastre cósmico foi suficiente para matar de fome os dinossauros, abrindo espaço para que os mamíferos crescessem e conquistassem os ecossistemas. Mas, nesse nosso mundo fictício, o da Pangea, a tragédia teria sido maior ainda. Os mamíferos, que seriam poucos, talvez se extinguissem inteiramente junto com os dinossauros. Com isso, seus descendentes – baleias, vacas, cachorros, macacos, humanos – jamais poderiam nascer.

Mas a tragédia dificilmente varreria toda a vida do planeta. “Sempre sobra alguma coisa”, diz Bertini. É pouco provável que os insetos se extinguissem – eles são pequenos, precisam de pouca comida e provavelmente se alimentariam dos cadáveres dos outros seres. Com o tempo, esses insetos dominariam o planeta e, sem a concorrência de mamíferos e dinossauros, iriam lentamente ganhar tamanho. Nesse cenário, a Terra chegaria aos dias de hoje dominada por formigas enormes, moscas imensas, baratas gigantes. Que bom que a Pangea se dividiu.