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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Buda da Sorte

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“Aprende antes a servir os vivos”
Confúcio
Zhongli Quan é um dos sete – às vezes oito – imortais caminhantes. Gordinho, simpático, ele traz a sorte. Porque foi confundido com Buda, ninguém sabe. Buda devia ser magro, mesmo famélico, depois de suas meditações: não trazia sorte também, apenas prometia salvação – a custo de muito trabalho. Como ele foi virar um deus barrigudo da fortuna, isso é uma incógnita. Durante a época Song, uma imagem rechonchuda de Buda (Budai em chinês, e no Japão chamada Hotei) surgiu, e essa pode ser uma possível origem para confusão. É difícil, contudo, afirmar qualquer coisa nesse sentido, já que budistas e caminhantes não gostavam de se misturar...
Buda defendia o desprendimento dos bens materiais; só pode ser uma ironia que ele fosse sincretizado com uma entidade absolutamente oposta, mas não é isso. Para uma religiosidade popular, que adotou Buda como um caminho, ele representa tudo de bom. E o bom, nesse caso, é a fartura e a riqueza.
“Quando não se conhece os ritos, o que se sabe?”, disse Confúcio. A mensagem de Buda era um alívio para o tormento post-mortem dos caminhantes. A salvação individual é um consolo, um contrato direto com o nirvana. Para o povo, essa salvação começa aqui: e Buda transforma-se, então num provedor – igual à Zaoshen, que freqüenta as cozinhas, e atende os desvalidos.
Da cozinha para a geladeira. Foi o que o ocidente fez, na carona da ignorância sobre o budismo e o daoísmo, colocando um Buda de geladeira no lugar do deus da cozinha... Adotado pelos cultos afros e esotéricos, ele mantém consigo a fama de atrair riqueza, o que se faz depositando algumas moedas sobre seus pés. Posto de costas para a porta (como um elefante indiano!), ele afasta o “mau-olhado”. Por fim, alguns cristãos ignorantes o taxaram de demônio – ou seja, o que pode “trazer felicidade nessa vida” não pode ser bom...
No Brasil multicultural, ele faz companhia ao pingüim e as velas. Uma trajetória assim tão criativa, tão repleta de erros, interrupções e recriações, merecia um estudo mais aprofundado.
Mas quem pode dizer que ele não expressa, justamente, o que os seus devotos querem? Como não concordar que, para além do que ele deveria ser, ele se tornou algo ainda mais incrível e profundo?
“Há deuses em todas as partes, no Céu e na Terra”
Livro dos Poemas

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