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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Harmonia e Eros

Dharma DhannyaEL
Quando podemos sentir que a essência da beleza nos envolve com a aura do amor?

A Beleza se veste com a harmonia, canta nos ventos a esperança, e segue junto com Eros, seu amado.
A beleza  está em nossos olhos, em nosso sorriso e na alegria da paz que emanamos.

A beleza nunca envelhece, podemos ver uma Senhora brincando com seu neto, como uma criança que nos envolve com a  sua aura, com o seu carinho.

Nossos pensamentos comandam o cenário, o espaço que ocupamos no mundo.
O cenário do nosso mundo interior define os personagens que iremos assumir como protagonistas da nossa vida.

“Orai e vigiai”. Devemos observar o que pensamos, o que temos necessidade, o que nos atrai, o que nos dá prazer, e do que temos medo.

O medo tem a chave da nossa felicidade. Aquilo que mais tememos nos pertence, aquilo que conservamos, cultuamos nos pertence.

Não podemos esquecer que carregamos dentro de nós personagens sinistros e belos de outras vidas, é só acionar a energia de atração, que eles entram em cena para o nosso bem ou para o nosso mal.

Mas, acredito que o nosso amado  os nossos amigos, inimigos  chamam  estes personagens para a vida, para entrar em cena  em nossa vida.

Nossos inimigos e desafetos intuitivamente  buscam dentro de nós o que há de pior, porque sabem que o personagem que virá para a guerra  irá nos destruir em todos os lugares que passamos e vivemos.

Alimentar o ódio , o medo, alimenta a escuridão e a feio dentro de nós. O feio é tudo aquilo que nos separa da humanidade e da amizade.
O feio não confia em ninguém e sempre ataca.

A tristeza, é filha da ingratidão, é carente, nunca se satifaz, e não Agradece o que tem.
vida gosta de quem gosta dela.

A Deusa da Beleza teve dois filhos Eros e Harmonia.

"No banquete, Platão define o amor como a junção de duas partes que se completam, constituindo um ser andrógino que, em seu caminhar giratório, perpetua a existência humana. Esse ser, que só existe no mundo das idéias platônico, confere à sua natureza e forma uma espécie peculiar de beleza: a beleza da completude, do todo indissociável, e não uma beleza que simplesmente imita a natureza.
Assim, temos em Platão, uma concepção de belo que se afasta da interferência e da participação do juízo humano, ou seja, o homem tem uma atuação passiva no que concerne ao conceito de belo:

não está sob sua responsabilidade o julgamento do que é ou não é belo. A harmonia e união dos contrários, a atração ordenada dos opostos. Por isso a medicina – arte da amizade entre os humores e os elementos no corpo e na alma – é a primeira ciência do amor.

Mas também a música – união e harmonia dos ritmos contrários e dos opostos –, a agricultura – arte de unir o úmido da semente e o seco da terra –, a astronomia – ciência da harmonia e conjunção dos astros –, a religião e a arte divinatória – que buscam os vínculos entre os deuses e os homens. Eros é uma força cósmica, universal, que, aplicada para o bem, nos traz felicidade perfeita, a paz entre os homens e a benevolência dos deuses
sexo.O amor é desejo de unificação e indivisão. Encontrar nossa metade: eis o nosso desejo. Ao deus que isto nos propicia, todo nosso louvor.

Quer me parecer que todos os que até agora falaram não elogiaram o Amor, mas a felicidade dos homens por possuírem tal protetor. Quem é Eros? O mais feliz dos deuses, porque o mais belo e o melhor.

O mais belo: é o mais jovem e perenemente jovem. O melhor: porque o mais útil (pois penetra imperceptivelmente nas almas), o mais delicado (pois habita as almas mais ternas), o mais gracioso n(pois vive entre flores e perfumes). Bom, porque ignora a violência e a desfaz onde existir.

Temperante, porque vence a desmedida do prazer, impondo-lhe limite. Engenhoso, porque inspira poetas e artistas, dispondo as musas para a inspiração dos humanos. Hábil, pois destronou o poderio da Carência e da Necessidade, colocando nos deuses o amor pela beleza e pela concórdia. Glória dos deuses e dos homens, Eros é nosso melhor guia.

Eros é o desejo: carência em busca de plenitude. Eros ama. O que ama o Amor? O que dura, o perene, imortal. Ama o bem, pois amar é desejar que o bom nos pertença para sempre.
Por isso Eros cria nos corpos o desejo sexual e o desejo da procriação, que imortaliza os mortais. O que o amor ama nos
corpos bons? Sua beleza exterior e interior. Amando o belo exterior, Eros nos faz desejar as coisas belas; amando o belo interior, Eros nos faz desejar as almas belas.

O amor dos corpos concebe e engendra a imagem da imortalidade: os filhos, também mortais. O amor das almas belas concebe e engendra o primeiro acesso à verdadeira imortalidade: as virtudes. Os corpos mortais geram filhos mortais. As almas imortais geram virtudes imortais.

Onde reside o belo nas almas? Na perfeição de suas ações, de seus discursos e de seus pensamentos – em suas qualidades de inteligência. Assim, no coração da alma imortal anuncia-se o perfeito imperecível: a beleza do saber, a manifestação do logos, a ciência.
Que deseja o desejo? Que ama o amor? A beleza imperecível, seu supremo e único Bem. O que é desejar-amar o Belo-Bem? Desejar possuí-lo, participando de sua bondade-beleza. Como participar do objeto do desejo-amor? Pelo conhecimento. Eros é desejo de saber.

Filosofia, philosophia. Na contemplação da beleza-bondade – isto é, da idéia do Bem e da Beleza – os humanos alcançam a ciência ou o saber, por meio do qual concebem, engendram e dão nascimento às virtudes e por meio delas se tronam imortais.

Desejo de formosura – da forma bela ou da bela forma –, eis a essência de Eros"
Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais respeitável e o mais "autorizado" (cf. 180b) a levar o homem à posse das virtudes e da felicidade, nesta vida e depois da morte!

"como potência criadora daquele amor primogênito que tudo anima e penetra, com o seu ritmo periódico de pleno e de vazio."


Eros é um anseio, uma busca metafísica do homem por uma totalidade do Ser, inacessível sempre à natureza do indivíduo.

Uma das coisas que revela isso é a saudade dos amantes que desejam não se separar em tempo algum: não se trata somente de algo corporal, mas de algo que une as suas almas ou, dizendo de outra forma, complemento que uma alma busca na outra. Diz-nos Aristófanes:

Quando acontece encontrar alguém a sua metade verdadeira, de um ou de outro sexo, ficam ambos tomados de um sentimento maravilhoso de confiança, intimidade e amor, sem que se decidam a separar-se, por assim dizer, um só momento.

 Essas pessoas, que passam juntas a vida, são, precisamente, as que não sabem dizer o que uma espera da outra. [...] E a razão disso é que primitivamente era homogêneo.

Conforme Ágaton o descreve, Eros é o mais feliz, o mais formoso e o melhor de todos os deuses. É jovem, fino e delicado, e só mora em locais floridos e perfumados. Sobre ele nunca põe as mãos a coação, pois o seu reino é o da vontade pura e livre. Possui todas as virtudes: a justiça, a prudência, a bravura e a sabedoria. É um grande poeta e ensina os outros a sê-lo.

Desde que Eros pisou o Olimpo, o trono dos deuses passou de terrífico a belo. Foi ele quem ensinou à maioria dos imortais as suas artes. E o entusiasta adorador do deus de Eros, hino capaz de competir com qualquer hino em verso, tanto pelo equilíbrio harmônico da composição como pela sonoridade musical.


O Eros de Platão revelado por Sócrates no Banquete é o próprio filósofo: está na posição intermediária, entre o saber e a ignorância, é aquele que aspira algo. O Eros em Platão é a aspiração do ser humano ao bem.

O Eros socrático é o anseio de quem se sabe imperfeito por se formar espiritualmente a si próprio, com os olhos sempre fitos na Idéia. É, em rigor, o que Platão entende por "filosofia": a aspiração de conseguir modelar dentro do homem o verdadeiro Homem.

O discurso de Diotima, na fala de Sócrates, está na tradição grega e coloca na idéia de Eros toda a atividade de criação espiritual. Eros é um poder educador e que matem unido todo o cosmo espiritual, isso porque ele é a aspiração comum a todo homem de buscar e se apossar por completo do belo.

Recordemos que Diotima definia acima a essência do Eros como a aspiração a apropriar-se 'para sempre' do Bem. [...] o Bem constitui o amor humano de si próprio, no seu mais alto sentido, então é evidente que o objeto sobre o qual ele recai, o eternamente belo e bom, não pode ser senão a substância deste mesmo eu.


Banquete encerra com a chegada de Alcibíades e seu bando: todos bêbados. Alcibíades põe fim aos louvores a Eros e inicia elogios a Sócrates. A passagem final de Banquete pode ser despercebida em uma leitura corrente, mas é de grande significado. Com o encerramento das honrarias a Eros e o início dos elogios a Sócrates, esse encarna o próprio Eros, ou seja, encarna a filosofia.

Se não bastasse, Alcibíades anuncia ter grande amor por Sócrates: como pode um jovem de beleza exuberante fazer elogios e anunciar o seu amor (philia) a um velho tão desfeito como Sócrates? Insere-se aí a valoração da filosofia e um novo valor: a beleza interior superior à beleza exterior, perecível.

O Banquete trata da amizade, do amor e é um dos diálogos de Platão da categoria política. Mas como a discussão sobre a amizade pode inserir essa obra na problemática política?

Para Platão, a amizade é uma força educadora e nexo que mantém o Estado. A amizade é "forma fundamental de toda comunidade humana que não seja puramente natural, mas sim uma comunidade espiritual e ética.

" Não é possível existir uma comunidade que não seja baseada na amizade, pois essa tende para aquilo que é o bem e este une os homens. O bem é aquilo que é supremo, está impresso na alma, é o primeiro amado, aquilo que permite a admiração pelas demais coisas, em outras palavras, antes de tudo vem o bem, para o qual o ser humano deve voltar-se, aquilo que tudo une, ente unificador.

Depois de tantas exposições a respeito de Eros no Banquete, começando por Fedro, depois Pausânias, Erixímaco, Aristófanes e Agatão, Sócrates bem o caracteriza, como compêndio da aspiração humana ao bem.

Ao contrário do que diziam seus discípulos, a amizade (ou amor, representado pelo deus Eros) não é o próprio belo e próprio bem. Eros é originado de duas oposições, filho da pobreza e da beleza. Isso o coloca numa situação intermediária, não fazendo estar de nenhum lado oposto e extremo. A posição intermediária de Eros atribui-lhe movimento, sendo o mesmo movimento do homem em busca do bem supremo.

O bem é o que há de mais supremo, é o divino, como Platão expressa literalmente em A República e no próprio Banquete. É a forma unificadora, é o que harmoniza e unifica o cosmos e o homem; é o que todo ser humano deve buscar.

Toda forma de sociedade deve se voltar também para o bem e essa busca do bem, do supremo e divino, Platão a caracteriza como amizade, como Eros.

Por isso dizemos que Eros (philia, amor e amizade) é movimento, a busca incessante do homem pelo bem e que tanto o homem quanto a sociedade não pode existir sem esse movimento em direção ao que o bom e belo.

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