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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Newton x Hermetismo: o paradoxo pode ser conciliado?


Um dos princípios herméticos, constantes do livro ‘O Caibalion’, editora pensamento, diz: 'Nada está parado, tudo se move, tudo vibra'. Este princípio explica que as diferenças entre as diversas manifestações da Matéria e Energia resultam das ordens variáveis de vibração.

Representação egípcia de Thot-Hermés 

Tudo no universo está em vibração. A vibração é muitas vezes de tamanho grau, que tem-se a impressão de que aquilo que vibra está praticamente parado, como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada.

O movimento incessante é uma característica do universo. Entretanto, o princípio da inércia parece ser um paradoxo a esta lei hermética. A inércia é uma das leis da física, proposta por Galileu e confirmada por Newton. Diz que:
‘Se um corpo está parado, tende a permanecer parado, e se está em movimento, tende a permanecer em movimento, e sua velocidade se mantém constante’.

Isaac Newton

É próprio do hermetismo dizer também que 'todos os paradoxos podem ser reconciliados', e no caso específico da inércia, o problema básico reside na escala em que se considera esta Lei de Newton.

Assim, um automóvel pode estar parado em relação a nós, mas se mudarmos a escala, ele não estará mais nessa condição. Em microescala, o movimento das partículas atômicas e subatômicas continua incessante em todos os elementos que constituem este automóvel. Considerando agora a escala planetária, notaremos que o automóvel também não estará parado, pois segue com a Terra em seu movimento de rotação.

Desenvolvendo um outro raciocínio, se o solo não oferecesse atrito, um automóvel em movimento poderia ser desligado e, mesmo assim, continuaria movimentando-se indefinidamente. Por isso se fala em inércia passiva e em inércia ativa.

De qualquer forma, como vimos, o movimento nunca deixa de existir. Numa transposição desta discussão para o campo da consciência humana, perguntamos: o que ocorre de fato, quando dizemos que alguém está em ‘inércia passiva mental’? No homem com vida, a mente pode simplesmente parar e os movimentos sinápticos deixarem de ocorrer no cérebro humano? 

A mente humana, assim como tudo que existe no universo, não pode estar nunca inteiramente parada. A chamada preguiça mental ou inércia mental pode ser encarada, na verdade, como uma subutilização de nossa capacidade criadora e lógica.

A reprodução constante de raciocínios já formulados, sem uma elaboração ou movimentação interna reflete este estado de inércia. Por isso disse o professor Henrique José de Souza que 'a pior de todas as rotinas, é a rotina da inteligência'.

A constante movimentação das idéias promove a circulação também da vida fisica. Uma mente saudável, como é sabido por todos, promove um organismo também saudável, enquanto que o diletantismo mental, ao contrário, leva o ser a uma existência de poucas realizações pessoais, dificultando a aquisição do estado de plenitude.

Como vimos, Newton e Hermes não são, de modo algum, paradoxais. Tudo se resume, no final, a questão das escalas e referenciais.

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