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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Guarda-chuvas e as Leis de Conservação


Chuva. Quem não possui meios de transporte – que não sejam as próprias pernas ou veículos propulsados por sua própria força – e está à mercê das intempéries, sabe muito bem do que estou falando… Chegar ensopado em algum compromisso sério não é nada divertido e muda completamente sua visão sobre esse fenômeno.
Pois bem, recentemente tive que enfrentar condições climáticas adversas para chegar à faculdade, obviamente… cheguei molhado! Enquanto culpava os ázarons pela minha calça, tênis e meias molhados tive uma visão! Uma imagem na minha cabeça… uma imagem disso: Esse post! [1]
Sendo assim, hoje vou mostrar como a grandeza azar se comporta e se desenvolve num sistema e para isso vou usar uma situação cotidiana, nesse caso… a chuva!
Vamos lá, a questão central aqui é: ficar molhado! Como isso acontece? Bem, os físicos respondem perguntas complexas como essa reduzindo-as a perguntas/problemas cada vez mais simples. É o que fazemos! Aproximamos problemas a outros mais simples e equivalentes. (Lembram-se da aproximação de Baker para o problema do pato de uma perna só? Não? Então recomendo a leitura de Um pato de uma perna só… nada em círculos?)
Então, primeiramente vamos supor que você não esqueceu seu guarda-chuva em casa! Isso é muito importante! Agora que você já está na chuva e de posse de seu guarda-chuva… vamos dividir/reduzir nosso problema em duas partes, vamos dividir a quantidade de água que irá atingir seu corpo em duas componentesindependentesb) Água da chuva defletida em sua direção pelo vento e/ou seu movimento relativo à chuva. a)Água da chuva que escorre pelas bordas de seu guarda-chuva e pinga exatamente em cima do seu pé quando você dá um passo à frente.[4] Essa acontece muito comigo..
Caso a)Caso b)
“Não zuarás dos desenhos 

Vamos examinar ambas componentes do problema, separadamente, e mostrar como o azar se conserva sob qualquer tentativa de solucionar o caso.
Primeiramente, tomemos o caso b). Para evitar ser molhado, você poderia tentar mudar o ângulo de ataque de seu guarda-chuva para compensar o vento e/ou seu movimento. Mas percebam que o azar se manteria constante… você PODERIA se molhar menos, em contrapartida seu arrasto aerodinâmico aumentaria significativamente e/ou sua visão do caminho seria dramaticamente prejudicada, podendo fazer com que você se choque com obstáculos.
Você também poderia usar botas enormes e bizarras. Certamente, não iria se molhar, mas pode ter certeza de que não esse azar se conservou e foi convertido em… por exemplo, azar com mulheres!
- O que? Não acredita? Olha pra esse cara… link
Agora, vamos analisar o caso a). Poderíamos resolver tudo facilmente usando um guarda-chuva maior. Sendo ele maior, as gotas não cairiam no seu pé… Porém, esse guarda-chuva será mais pesado e difícil de transportar. Viram? Novamente o azar se conservou! Para não molhar os pés, você vai ter que carregar mais peso… praticamente na proporção exata de que se tivesse levado outro par de tênis na mochila.
Mas ainda não estamos convencidos! Vamos propor uma solução drástica e não-convencional e ver o que acontece. Vamos fazer o seguinte, imagine que… se as gotas que pingam das bordas do guarda-chuva pudessem sair com uma certa velocidade tangencial, nesse caso elas não atingiram mais nossos pés, mochilas etc. Pensaram no que estou pensando?
Tech Rainator 5000+!
AzaronTech Umbrella
Guarda-chuva giroscópico anti-ensopante à combustão interna![5]

Um guarda-chuva rotativo com motor dois tempos, partida à corda, flex (funciona com gasolina e/ou etanol) e com controle de rotações por minuto!! Há! Chupa essa Universo! Nada de pingos nos nossos pés, certo?Errado! Vejamos por quê…
Duas coisas podem acontecer, uma delas conserva o azar e a outra aumenta o azar.
Se você, e apenas você, em todo o Universo usar a solução do guarda-chuva rotativo… o azar que estaria associado a você seria projetado a todos que cruzassem seu caminho, uma vez que a água que escorre pelas bordas de seu guarda-chuva seriam espalhadas numa área a sua volta, podendo atingir pessoas próximas. Além de direcionar seu azar a eles, isso poderia fazer com essas pessoas ficassem… ham… irritadas com você! Dependendo do caso, o azar pode chegar até níveis letais.
Por outro lado, se todas as pessoas passassem a usar guarda-chuvas rotativos, todos iriam experimentar a mesma quantidade de azar que experimentariam se ninguém os usasse! Ou seja, a água que você estaria evitando seria jogada em você por outras pessoas com seus guarda-chuvas rotativos.
Viram? Não temos como escapar, são as leis da termodinâmica… no caso, a termodinâmica azarônica, e ela nos diz:
A quantidade de azar de um sistema fechado só pode aumentar ou se manter constante.
Resumindo, a moral da história é a seguinte: Se você existe, você vai se dar mal e a tendência é piorar! [6]
=/
Notas do Autor:
[1] Excluindo tudo que estava antes dessa nota, senão… esse post seria um loop infinito. [2]
[2] Sim, construí aquela frase daquele jeito porque lembrei de De volta para o futuro. [3]
[3] Não lembra? Quando o Doutor Brown conta a história de como teve a ideia do capacitor de fluxo…
[4] Eu sei que as letras estão na ordem errada, é que desenhei assim e fiquei com preguiça de trocá-las.
[5] Estou trabalhando num nome comercial ainda pior.
[6] Estou meio depressivo né? É o mestrado… maldito

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