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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre desespero

O desespero é a perda da espera ou da esperança.
E o desespero é uma conclusão.
Ele se baseia na compreensão humana dos desígnios da vida.
Mas quem somos nós para compreender e tirar conclusões tão absolutas?
Há no desespero uma arrogância que só tem par com a esperança no fanático triunfalista.
Toda conclusão a respeito da vida significa o encerramento do processo de questionamento e busca.
Quem em vida interrompe esse processo é um tolo.
Cada momento da vida nos revela ângulos que não temos como perceber em outro instante.
A esperança, espera.
E esta é a conduta correta: deixar em aberto mesmo quando a perplexidade ou a violência da vida nos empurra para conclusões.
Fonte: Oráculo da Cabala

Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único ato do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.
Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'


 
Leônidas Loureiro
 Saúde e Paz

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