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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os 7 Cosmos

Bem, amigos, estamos aqui reunidos novamente, com o propósito de estudar
o raio da criação.
É urgente, indispensável, inadiável conhecer, de forma clara e precisa, o lugar
que ocupamos no raio vivíssimo da criação.
Antes de tudo, estimáveis cavalheiros, distintas damas, suplico-lhes
encarecidamente seguir meu discurso com infinita paciência.
Quero que os senhores saibam que existem sete cosmos, a saber: Primeiro,
Protocosmos. Segundo, Ayocosmos. Terceiro, Macrocosmos. Quarto,
Deuterocosmos. Quinto, Mesocosmos. Sexto, Microcosmos. Sétimo,
Tritocosmos.
1º - Inquestionavelmente, o primeiro é formado por múltiplos sóis espirituais,
transcedentais, divinais.
Muito se falou sobre o Sagrado Sol Absoluto e é óbvio que todo o sistema
solar é governado por um desses espirituais sóis.
Isto quer dizer que nosso jogo de mundos possui seu Sagrado Sol Absoluto
solar próprio, igualmente como todos os outros sistemas solares do
inalterável infinito.
2º - A segunda ordem de mundos é formada, realmente, com todos os
milhões de sóis e planetas que viajam através do espaço.
3º - O terceiro jogo de mundos é formado por nossa galáxia, por esta grande
via láctea, que tem como capital cósmica centra o sol Sírio.
4º - A quarta ordem é representada por nosso sistema solar de Ors.
5º - A quinta ordem corresponde ao planeta Terra.
6º - A sexta ordem é o microcosmos homem.
7º - A sétima ordem está nos mundos infernos.
Ampliemos um pouco mais esta explicação. Quero que vocês, senhores e
senhoras, entendam, com plena claridade, o que é realmente a primeira
ordem de mundos. Sóis espirituais extraordinários, cintilantes, com infinitos
esplendores no espaço. Radiantes esferas que jamais poderiam ser
percebidas pelos astrônomos através de seus telescópios.
Pensai, agora, no que são os bilhões e trilhões de mundos e estrelas que
povoam o espaço sem fim.
Recordai, agora, as galáxias; qualquer destas, tomada em separado, é
certamente um macrocosmos; e a nossa, a via láctea, não é uma exceção.
Que diremos do deuterocosmos? Inquestionavelmente, todo sistema solar,
não importa a galáxia à qual pertença, seja esta de matéria ou de antimatéria,
obviamente é um deuterocosmos.
Terras do espaço são tão numerosas como as areias do imenso mar.
Indubitavelmente, qualquer uma destas, todo planeta, não importa qual seja
seu centro de gravitação cósmica, é, por si mesmo, um mesocosmos.
Muito se tem dito sobre o microcosmos homem. Nós enfatizamos a idéia
transcendental de que cada um de nós é um autêntico e legítimo
microcosmos. Não obstante, não somos os únicos habitantes do infinito; é
claro que existem muitos mundos habitados. Qualquer habitante do cosmos
ou dos cosmos é um autêntico microcosmos.
Por último, convém saber que dentro de todo planeta existe o reino mineral
submerso com seus próprios infernos atômicos. Estes últimos sempre se
acham situados no interior de qualquer massa planetária e nas
infradimensões da natureza, debaixo da zona tridimensional de Euclides.
Entenda-se, pois, senhores e senhoras, que a primeira ordem de mundos é
completamente diferente da segunda e que cada cosmos é absolutamente
desigual, radicalmente distinto.
A primeira ordem de mundos é infinitamente divinal, inefável; não existe nela
nenhum princípio mecânico; é governada pela única lei.
A segunda ordem é inquestionavelmente controlada pelas três forças
primárias que regulam e dirigem toda a criação cósmica.
A terceira ordem de mundos, nossa galáxia, qualquer galáxia do espaço
sagrado, é indubitável que é controlada por seis leis.
A quarta ordem de mundos, nosso sistema solar ou qualquer sistema solar do
infinito espaço, sempre é controlada por doze leis.
A quinta ordem, nossa Terra ou qualquer planeta similar ao nosso, girando ao
redor de qualquer sol, acha-se absolutamente controlada por 34 leis.
Na sexta ordem cósmica, qualquer organismo humano encontra-se
definitivamente controlado por quarenta e oito leis, e isto o vemos totalmente
comprovado na célula germinal humana, constituída, como já é sabido, por
quarenta e oito cromossomos.
Por último, a sétima ordem de mundos está sob o controle total de noventa e
seis leis.
Quero que vós saibais, de forma precisa, que o número de leis, nas regiões
abismais, se multiplica escandalosamente.
É ostensível que o primeiro círculo dantesco está sempre sob o controle de
noventa e seis leis. Entretanto, no segundo se duplica esta quantidade, dando
192 leis; no terceiro se triplica; no quarto se quadruplica; de tal forma que se
pode multiplicar a quantidade de 96 x 2, x3, x 4, x 5, x 6, x 7, x 8 e x 9 .
Assim, pois, no nono círculo, multiplicando as 96 x 9, nos darão 864 leis.
Se vós refletirdes profundamente sobre o primeiro cosmos, vereis que lá
existe a mais plena liberdade, a mais absoluta felicidade, porque tudo é
governado pela única lei.
No segundo cosmos ainda existe a plena dita, porque é completamente
controlado pelos três leis primárias de toda a criação.
Entretanto, no terceiro cosmos já se introduz um elemento mecânico, porque
estas três leis primitivas divinais, dividindo-se em si mesmas, convertem-se
em seis. Obviamente, neste já existe certo automatismo cósmico. Já não são
as três forças únicas as que trabalham, pois estas, ao se dividirem em si
mesmas, originaram o jogo mecânico de qualquer galáxia.
Vejam os senhores o que é um sistema solar. É claro que, nele, já as seis leis
se dividiram novamente, para se converterem em doze, aumentando a
mecanicidade, o automatismo, a complicação, etc., etc.
Limitemo-nos, agora, a qualquer planeta do infinito e muito especialmente ao
nosso mundo terrestre. Obviamente é mais heterogêneo e complicado,
porque as doze leis do sistema se converteram em vinte e quatro.
Olhemos, agora, francamente, o microcosmos homem. Examinemos a célula
germinal e encontraremos os quarenta e oito cromossomos, viva
representação das quarenta e oito leis que controlam todo nosso corpo.
Obviamente, ao se dividirem estas quarenta e oito leis em si mesmas,
originam as noventa e seis do primeiro círculo dantesco.
Quero, pois, que vocês, senhores e senhoras, compreendam o lugar que
ocupamos no raio da criação.
Alguém disse que inferno vem da palavra infernus, que em latim significa
região inferior. Assim, enfatizou a idéia de que o lugar que nós ocupamos na
região tridimensional de Euclides é o Inferno, por ser, segundo ele, o lugar
inferior do cosmos.
Desgraçadamente, aquele que fez tão insólita afirmação desconhecia
realmente o raio da criação. Se ele tivesse tido maior informação, se
estivesse estudado os sete cosmos, ter-se-ao dado conta cabal de que o
lugar inferior não é este mundo físico em que vivemos, senão o sétimo
cosmos, situado exatamente no interior do planeta Terra, nas infradimensões
naturais, sob a zona tridimensional de Euclides.
P. – Venerável Mestre, depois de escutar com toda atenção e paciência a
científica exposição sobre o raio da criação, observamos que, ao se referir à
primeira ordem, ou seja, ao protocosmos, menciona que o movimento, a vida
corresponde à primeira lei, onde impera a liberdade absoluta. Foi-no dito,
seguindo as palavras do Grande Kabir Jesus: "Descubra a verdade e a
verdade te fará livre." Deve-se entender, seguindo a lei das analogias e das
correspondências, que, para sermos nós os homens que nos movemos e
temos nosso ser na sexta ordem de mundos, ou seja, o microcosmos, para
vivenciarmos a verdade e, portanto, sermos completamente livres, devemos
pugnar para chegarmos a ser habitantes desses mundos regidos pela única
lei?
V.M. – Com o maior gosto darei resposta à pergunta que fez o cavalheiro.
Distintos senhores e senhoras! É indispensável compreender que a maior
número de leis, maior grau de mecanicidade e dor; a menor número de leis,
menor grau de mecanicidade e dor.
Inquestionavelmente, no Sagrado Absoluto Solar, no sol central espiritual
deste sistema solar no qual vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, não
existe mecanicidade de nenhuma espécie e, portanto, é óbvio que ali reine a
mais plena bem-aventurança.
Ostensivelmente, devemos lutar de forma incansável por nos libertar das 48,
24, 12, 6 e 3 leis, para regressarmos realmente ao Sagrado Sol Absoluto do
nosso sistema.
P. – Mestre, deduz-se, pelo explicado anteriormente, que os mundos com
mais leis são mais mecânicos e, portanto, logicamente mais densos e
materiais. Isto quer dizer que os mundos infradimensionais ou infernais
ocasionarão maior sofrimento e que, por esta razão, os chamamos a região
das penalidades e dos castigos?
V.M. – Esta pergunta do auditório me parece bastante interessante e é claro
que me apresso a respondê-la com o maior agrado.
Distinto senhor! Quero que saiba o senhor e que todos entendam que a maior
número de lies, maior grau de mecanicidade e dor.
As 96 da primeira zona infernal resultam terrivelmente dolorosas. Sem dúvida,
conforme tal número de leis se multiplica e cada uma das zonas
infradimensionais, também se multiplica a dor, a mecanicidade e o pranto.
P. – Venerável Mestre, observamos que anteriormente nos fala o senhor dos
nove círculos concêntricos na região das infradimensões, as quais
correspondem aos nove círculos das supradimensões do cosmos. Não
obstante, ao referir-se ao raio da criação somente enumera e explica sete
cosmos. Não há nisso alguma incongruência?
V.M. – Honorável senhor! É indispensável que o senhor faça uma clara
diferenciação entre os sete cosmos, os nove céus e os nove círculos
dantescos das infradimensões naturais.
Obviamente, os nove céus se encontram relacionados, como já dissemos,
com as nove regiões submersas sob a epiderme da Terra. Isto o viu Enoque
em estado de êxtase no Monte Mória, lugar onde edificara, mais tarde, um
templo subterrâneo com nove pisos interiores, para alegorizar o realismo
transcendental de sua visão.
É inquestionável que os nove céus se acham plenamente concretizados nas
esferas da Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e
Netuno. É claro que todos estes nove céus correspondem ao deuterocosmos.
Fica, pois, esclarecido em sua mente o fato de que os sete cosmos não são
os nove céus?
P. – Mestre, ao nos dizer o senhor que, conforme se vai baixando a maior
número de leis, desde o primeiro cosmos até as regiões infernais, a
mecanicidade, o automatismo, a materialidade se faz cada vez maior, faz-nos
pensar que, ao nos irmos afastando das três leis primárias, apartamo-nos, ao
mesmo tempo, da vontade direta do Pai, ficando à nossa própria e miserável
sorte. É este o caso?
V.M. – Distinto cavalheiro! Honoráveis damas que neste auditório me
escutam! Quero que os senhores saibam, de forma clara e precisa, que mais
além de todo este jogo de mundos que forma nosso sistema solar,
resplandece, glorioso, o Sagrado Absoluto Solar.
É indubitável que no sol central espiritual, governado pela única lei, existe a
felicidade inalterável do eterno Deus vivo. Desafortunadamente, conforme nós
afastamos mais e mais do Sagrado Sol Absoluto, penetramos em mundos
cada vez mais e mais complicados, onde se introduz o automatismo, a
mecanicidade e a dor.
Obviamente, no cosmos de três leis, a dita é incomparável, porque a
materialidade é menor. Nesta região, qualquer átomo possui, dentro de sua
natureza interior, tão somente três átomos do Absoluto.
Quão distinto é o terceiro cosmos! Lá a materialidade aumenta, porque
qualquer de seus átomos possui, em seu interior, seis átomos do Absoluto.
Penetramos no quarto cosmos. Ali encontramos mais densa a matéria, devido
ao fato concreto de que qualquer de seus átomos possui, em si mesmo, doze
átomos do Absoluto.
Concretizemos um pouco mais. Se examinamos cuidadosamente o planeta
Terra, veremos que qualquer de seus átomos possui, em sua natureza íntima,
24 átomos do Absoluto.
Baixemos um pouco mais e entremos no reino da mais crua materialidade,
nos mundos infernos, sob a crosta do planeta em que vivemos, e
descobriremos que, na primeira zona infradimensional, a densidade
aumentou espantosamente, porque qualquer átomo inumano possui, dentro
de sua natureza íntima, 96 átomos do Absoluto.
Na segunda zona infernal, todo átomo possui 192 átomos; na terceira, todo
átomo possui em seu interior 384 átomos do Absoluto, etc., etc., etc.,
aumentando, assim, a materialidade de forma espantosa e aterradora ...
Ao nos submergir dentro de leis cada vez mais complexas, obviamente nos
independentizamos, de forma progressiva, da vontade do Absoluto e caímos
na complicação mecânica de toda esta grande natureza. Se queremos
reconquistar a liberdade, devemos liberar-nos de tanta mecânica e de tantas
leis e voltar ao Pai.
P. Querido Mestre, se não se faz a vontade divina no microcosmos homem,
então por que se diz que "não se move a folha de uma árvore sem a vontade
de Deus"?
V.M. – Distinto cavalheiro! No sagrado Absoluto Solar, como já dissemos, só
reina a única lei. No cosmo das três leis ainda se faz a vontade do Pai,
porque tudo é governado pelas três leis fundamentais.
Entretanto, no mundo das seis leis já existe, fora de toda dúvida, uma
mecanicidade que, em certo sentido, a faz independente da vontade do
Absoluto. Pense o senhor, agora, nos mundos de 24, 48 e 96 leis.
É obvio que, em tais ordens de mundos, a mecanicidade se multiplica
independentemente do Sagrado Absoluto Solar. Isto, claro, daria espaço
como para dizer que o Pai fica excluído de toda criação. Entretanto, é bom
que todos saibam que toda mecanicidade é previamente calculada pelo
Sagrado Sol Absoluto, já que não poderiam existir as distintas ordens de leis
e os diversos processos mecânicos, se assim não tivesse sido disposto pelo
Pai.
Este universo é um todo dentro da inteligência do Sagrado Absoluto Solar e
estes fenômenos se vão cristalizando de forma sucessiva, pouco a pouco.
Entendido?
P. – Venerável Mestre! Poder-nos-ia o senhor dizer a razão pela qual
relaciona o sete nas leis da criação, no organismo humano e nos mundos? É
uma tradição ou é realmente uma lei?
V.M. – A pergunta que faz o cavalheiro merece uma resposta imediata. Quero
que todos vocês, senhores e senhoras, compreendam com inteira claridade
meridiana o que são as leis do três e do sete. É urgente que saibam que os
cosmocratores, criadores deste universo no qual vivemos, nos movemos e
temos nosso ser, cada um, sob a direção de sua Divina Mãe Kundalini
cósmica particular, trabalhou na aurora da criação, desenvolvendo no espaço
as leis do três e do sete, a fim de que tudo tivesse vida em abundância. Só
assim pôde existir nosso mundo. Não é pois, estranho que todo processo
cósmico natural se desenvolva de acordo com as leis do três e do sete. De
modo algum nos deve parecer algo insólito que tais leis se achem
relacionadas no infinitamente pequeno e no infinitamente grande, no
microcosmos e no macrocosmos, em tudo o que é, em tudo o que foi e em
tudo o que será.
Pensemos, por um momento, nos sete chacras da espinha dorsal, nos sete
mundos principais do sistema solar, nas sete rondas de que fala a Teosofia
antiga e moderna, nas sete raças humanas, etc., etc., etc.
Todos estes gigantescos processos setenários, toda sétupla manifestação de
vid tem por base as três forças primárias: positiva, negativa e neutra.
Entendido?
P. – Mestre, por que, quando fala da criação dos mundos, seres ou galáxias,
se expressa em termos tais como é claro, é indubitável, é óbvio, é natural,
etc? Em que se baseia para dizê-lo com tal segurança?
V.M. – Vejo ali, no auditório, que alguém fez uma pergunta bastante
interessante e sinto agrado em responder-lhe.
Senhores e senhoras! Quero que vocês saibam, de forma concreta, clara e
definitiva, que existem duas classes de razão. À primeira, denominá-la-emos
subjetiva; à segunda qualificá-la-emos como objetiva.
Inquestionavelmente, a primeira tem por fundamento as percepções
sensórias externas. A segunda é diferente e só se processa de acordo com
as vivências íntimas da Consciência.
É óbvio que, atrás dos termos citados pelo cavalheiro, encontra-se,
realmente, os diversos funcionalismos de minha própria Consciência. Utilizo
tais palavras da linguagem como veículos específicos de meus conceitos de
conteúdo.
Com outras palavras, ponho certa ênfase para dizer ao cavalheiro e ao
honorável auditório que me escuta o seguinte: Jamais utilizaria as palavras
citadas pelo senhor, se antes não tivesse verificado, com meus poderes
conscientivos, com minhas faculdades cognoscitivas transcendentais, a
verdade de tudo o que estou afirmando. Gosto de usar termos precisos, com
o propósito de fazer conhecer idéias exatas. Isso é tudo!
P. – Venerável Mestre, o senhor mencionou, em sua anterior exposição, a
aurora da criação. Poderia explicar-nos em que época funcionou e de quem
foi a obra?
V.M. – Distinto cavalheiro! Na eternidade não há tempo. Quero que todos os
que nesta noite assistiram a nossa conferência compreendam perfeitamente
que o tempo não tem um fundo real, uma origem autêntica, legítima.
Certamente e em nome da verdade, devo dizer-lhe que o tempo é algo
meramente subjetivo, que não possui uma realidade objetiva, concreta e
exata.
O que existe realmente é a sucessão de fenômenos. Sai o sol e exclamamos:
"São seis da manhã". Oculta-se e dizemos: "São seis da tarde.
Transcorreram doze horas". Porém, em que parte do cosmos estão essas
horas, esse tempo? Podemos, acaso, agarrá-lo com a mão, pô-lo sobre uma
mesa de laboratório? De que cor é esse tempo, de que metal ou substância é
feito? Reflitamos, senhores, reflitamos um pouco.
É a mente a que inventa o tempo, porque o que verdadeiramente existe de
forma objetiva é a sucessão de fenômenos naturais. Desgraçadamente, nós
cometemos o erro de pôr tampo a cada movimento cósmico.
Entre o sair e o ocultar-se o Sol, pomos nossas queridas horas.
Inventamo-las, anotamo-las ao movimento dos astros; mas estas são uma
fantasia da mente.
Os fenômenos cósmicos se sucedem uns aos outros, dentro do instante
eterno da grande vida em seu movimento. No Sagrado Sol Absoluto, nosso
universo existe como um todo íntegro, unitotal, completo. Nele se processam
todas as mudanças cósmicas dentro de um momento eterno, dentro de um
instante que não tem limites.
Resulta palmário e manifesto que, ao se cristalizarem os distintos fenômenos
sucessivos deste universo, vem à nossa mente, desgraçadamente, o conceito
tempo. Tal conceito é sempre posto entre fenômeno e fenômeno.
Realmente, o Logos Solar, o Demiurgo Arquiteto do Universo é o verdadeiro
autor de toda esta criação. Não obstante, não podemos pôr uma data à sua
obra, à sua cosmogênese, porque o tempo é uma ilusão da mente e isto está
muito mais além de todo o meramente intelectivo. Inferno ou os mundos
infernos existem desde toda a eternidade. Recordemos aquela frase de Dante
em sua Divina Comédia: "Por mim se vai à cidade do pranto; por mim se vai à
eterna dor; por mim se vai a raça condenada; a justiça animou meu sublime
Arquiteto; fez-me a Divina Potestade, a Suprema Sabedoria e o Primeiro
Amor. Antes que eu não tive nada criado, à exceção do imortal, e eu duro
eternamente. Oh! Vós, os que entrais, abandonai toda a esperança!"
P. – Venerável Mestre, segundo pude dar-me conta, o Mestre G coloca o
mundo das 96 leis na Lua. Ao contrário, o senhor afirma que essa região se
encontra debaixo da epiderme do organismo planetário em que vivemos.
Poderia explicar-me a razão desta divergência de conceitos?
V.M. – Honorável senhor! Apresso-me a dar resposta a sua pergunta.
Certamente, o Mestre G pensa que o raio da criação termina na lua; e eu
afirmo, de forma enfática, que este conclui nos mundos submersos, no
Inferno.
A Lua é algo diferente, distintos senhores, pertence ao passado dia da
criação. É um mundo morto, é um cadáver.
As viagens dos astronautas a nosso satélite vieram demonstrar, de forma
contundente e definitiva, o fato irrefutável de que a Lua é um mundo morto.
Não sei como o Mestre G se equivocou em seus cálculos. Qualquer lua do
infinito espaço é sempre um cadáver. Desafortunadamente, o Mestre G
acreditou firmemente que, em nosso sistema, a Lua era um mundo novo que
surgia do caos, que nascia.
Num passado dia cósmico, a Lua teve vida em abundância, foi uma
maravilhosa terra do espaço; porém, já morreu e num futuro haverá de
desintegrar-se totalmente. Isso é tudo!
P. – Querido Mestre, de acordo com o Mestre G, nosso satélite, a Lua,
originou-se por um desprendimento de matéria terrestre, devido as forças
magnéticas de atração tremendas, dentro das leis de gravidade, formando um
mundo novo, onde seguramente ingressam as almas perdidas, para sofrer
nestas regiões infradimensionais do Averno. Quer dizer, Mestre Samael, que
o Mestre G chegou a esta conclusão porque suas faculdades cognoscitivas
eram pobres?
V.M. – Escuto a pergunta do senhor e é claro que sinto prazer em
responder-lhe. De modo algum quero subestimar as faculdades psíquicas do
Mestre G. Obviamente cumpriu uma missão maravilhosa e seu labor é
esplêndido. Não obstante, o homem tem direito de se equivocar. É possível
que ele tomasse essa informação relacionada com Selene de alguma lenda,
de alguma fonte, de alguma alegoria, etc., etc., etc. Em todo caso, nós
afirmamos, de forma enfática, o que nos consta, o que pudemos verificar por
nós mesmos, diretamente, sem menosprezar o labor de nenhum outro
mestre.
Que de alguma colisão entre a Terra e outro planeta tenha partido a Lua ou
que ela tenha emergido do Pacífico, como sustém outro respeitável mestre,
são conceitos que respeitamos, porém que nós não evidenciamos
praticamente.
Afirmo, de forma contundente e com certa ênfase, e me limito exclusivamente
a expor, com minha razão objetiva, o que por mim mesmo pude ver, tocar e
palpar.
Jamais, em todo o cosmos, chegamos a saber que alguma lua se converta
em mundo habitável. Qualquer iniciado bem desperto sabe, por experiência
direta, que os mundos e as plantas e tudo o que existe, nasce, cresce,
envelhece e morre.
É ostensível que qualquer planeta que falece, de fato e por direito próprio, se
converte num cadáver, numa lua.
Nosso planeta Terra não será uma exceção e podem estar vocês seguros,
senhores e senhoras, que, depois da sétima raça humana, se converterá
também em uma nova lua.
Sejamos, pois, exatos. Eu sou matemático na investigação e exigente na
expressão. Temos métodos, sistemas e procedimentos, mediante os quais
podemos e devemos por-nos em contanto com esses mundos infernos; então
reconheceremos o realismo da Divina Comédia de Dante, que situas o Inferno
debaixo da epiderme do planeta Terra.

Canto II
Razão da viagem - Beatriz
Já anoitecia quando iniciamos a jornada. Ó Musas, ó grande gênio, me ajudem para que eu possa relatar aqui sem erro esta viagem que está escrita para sempre em minha mente! E então comecei:
- Ó poeta que me guias, julga minha virtude e dize se é compatível com o caminho árduo que me confias. Não sou ninguém diante de Paulo ou Enéas. Não consigo crer que eu seja digno de tal, nem acho que outro pensaria da mesma forma.
- Se eu de fato compreendi o que acabas de dizer - respondeu o poeta -, tua alma está tomada pela covardia, que tantas vezes pesa sobre os homens, os afastando de nobres empreendimentos, como uma besta assustada pela própria sombra. Para te libertar desse medo, deixa que eu te explique como cheguei até ti:
"Eu estava com os outros espíritos suspensos no Limbo quando apareceu-me uma mulher beata e bela.
- Ó generosa alma mantuana, - disse ela -, ajude-me a socorrer um amigo, que está perdido na selva escura. Vai com tua fala ornada e ajuda-o para que eu seja consolada. Eu sou Beatriz, que pede que tu vás. Venho do céu e para o céu voltarei. Foi o amor que me trouxe e é ele quem me faz falar.
- Ó mulher de virtude, tanto me agrada obedecer-te, que basta dizeres o que desejas que eu faça que eu o farei. Mas dize-me, não tens medo de descer até este centro escuro?
- Deve-se temer as coisas que de fato têm o poder de nos causar mal - respondeu -, e mais nada, pois nada mais existe para temer. A mulher gentil que se compadeceu do que acontece com aquele a quem te envio, pediu a Luzia, dizendo: 'aquele teu adepto fiel precisa de tua ajuda e a ti o recomendo.' Luzia, inimiga de toda crueldade, veio então a procurar-me, onde eu sentava com a antiga Raquel. 'Beatriz', disse, 'não vais salvar quem mais te amou e que por ti se elevou do povo vulgar?' Logo que ouvi tais palavras desci aqui, do meu beato posto, por confiar na tua palavra honesta.
E assim, ela me deixou, e eu cheguei para afastar aquela fera que impedia que tu escalasses o belo monte."
- Então o que é que há? Por que tu és tão covarde? Por que não és bravo e corajoso, quando tens três mulheres abençoadas que te guardam lá do céu?
Depois que ele terminou de falar, eu não era mais o mesmo. Recuperei a coragem, perdi o medo e afastei todas as minhas dúvidas. Imediatamente voltei a confiar na jornada que me fora proposta e disse-lhe:
- Ó piedosa aquela que me socorreu, e tu que tão cortês atendeste ao seu pedido. Com tuas palavras tornei-me outra vez disposto. Vamos, que agora ambos queremos a mesma coisa. Tu serás meu guia, e eu te seguirei.
E assim, seguimos por um caminho árduo e silvestre.

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